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Lula se acerta com MDB, PSD e União Brasil e deve dar três pastas a cada partido

Siglas de centro que, juntas, somam 143 deputados e 31 senadores são consideradas cruciais para a formação de base no Congresso; PDT também vai compor o 1.º escalão

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Por Lauriberto Pompeu
Atualização:

BRASÍLIA - O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu nove ministérios em troca do apoio de MDB, PSD e União Brasil no Congresso. O anúncio de que cada sigla comandará três pastas deve ser feito nesta quinta-feira, 29, em Brasília. Com 143 deputados federais e 31 senadores, as legendas são cruciais para a formação da base de sustentação do futuro governo petista.

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Além dos três partidos, o PDT também será contemplado no primeiro escalão. O presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, vai ser o ministro da Previdência.

Ao todo, já foram confirmados 21 nomes da Esplanada e 16 devem ser apresentados nesta quinta. Com isso, Lula finaliza a formação do governo que tomará posse a partir de domingo, dia 1.º de janeiro. Serão 37 pastas, 14 a mais do que os atuais 23 ministérios da gestão Jair Bolsonaro.

A senadora Simone Tebet deverá assumir o ministério do Planejamento. Foto: Amanda Perobelli/Reuters

No MDB, já há um acordo para que Jader Filho (PA) assuma o Ministério das Cidades, Renan Filho (AL), o dos Transportes, e Simone Tebet, o do Planejamento. O partido, assim, terá indicado filhos de dois caciques, Jader Barbalho e Renan Calheiros, que hoje estão no Senado, além da senadora e ex-presidenciável que atuou na campanha de Lula no segundo turno.

Procurado pelo Estadão, o governador Helder Barbalho evitou comentar sobre a definição dos cargos, mas disse que o partido vai ter uma postura colaborativa com a futura gestão. “O MDB inaugura uma relação com o governo de efetivamente cumprir um papel de ser parceiro importante, leal, que possa permitir governabilidade e colaborar com seus quadros para que o governo dê certo.”

Já o PSD terá os senadores Alexandre Silveira (MG) à frente de Minas e Energia, Carlos Fávaro (MT), da Agricultura, e o deputado André de Paula (PE), do Ministério da Pesca. Logo após a eleição, o partido pleiteava duas pastas. O deputado Fábio Trad (PSD-MS) também destacou a importância da participação ativa no governo Lula. “Penso que o PSD, sempre bem conduzido pelo presidente (Gilberto) Kassab, deve participar ativamente deste processo de reconstrução das instituições brasileiras sob a liderança de Lula”, disse.

No União Brasil, partido que elegeu Sérgio Moro como senador pelo Paraná, tem uma das maiores bancadas da Câmara e ajudou a aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição, havia indefinição até a noite desta quarta-feira, 28, de quem seriam os escolhidos. A bancada do partido na Câmara tentou emplacar o deputado Elmar Nascimento (BA) na Integração Nacional, mas a pasta agora deve ficar com um apadrinhado do senador Davi Alcolumbre (AP).

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Uma ala do PT, principalmente da Bahia, resistiu à escolha de Elmar por ele já ter feito críticas ao presidente eleito, inclusive comentários irônicos sobre sua prisão, em Curitiba, em razão de condenação na Lava Jato. A aliados, o próprio deputado afirmou que vai continuar na Câmara para exercer a função de líder da legenda.

No Senado, Alcolumbre, que já presidiu a Casa, participou das articulações diretamente com Lula. Ele avisou ao União Brasil que, além da Integração Nacional, a legenda vai indicar os nomes dos Ministérios do Turismo e das Comunicações, para quais são cotados respectivamente os deputados Juscelino Filho (MA) e Paulo Azi (BA).

Alcolumbre descartou assumir ele próprio uma pasta. O ex-presidente do Senado se reuniu com Lula nesta quarta à noite para definir as escolhas. Após o encontro, o Estadão apurou que o nome mais forte para assumir Integração Nacional é o do atual governador do Amapá, Waldez Góes. Hoje, ele está filiado ao PDT, mas deve migrar para o União Brasil.

O desenho final do Esplanada terá ainda Marina Silva (SP), deputada eleita pela Rede, no Meio Ambiente e Sonia Guajajara (SP), do PSOL, nos Povos Indígenas.

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