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Quem se envolveu vai ter que responder, diz presidente da Funai sobre sumiço das bistecas

Funai diz que encontrou “possível inconsistências” no relatório do governo anterior.

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Foto do author Daniel  Weterman
Por Daniel Weterman

BRASÍLIA - A presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, defendeu a responsabilização dos envolvidos no sumiço das bistecas. Conforme o Estadão revelou, o governo Bolsonaro comprou 19 toneladas de bisteca para o Vale do Javari (AM) que não chegaram aos indígenas, ignorou orientação técnica na distribuição de sardinha e linguiça calabresa para yanomamis e superfaturou a compra de pescoço de galinha na Floresta Amazônica.

Nesta terça-feira, 16, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, informou que a Polícia Federal vai investigar o sumiço da carne. “É bom que se investigue, não se trata dessa gestão e as pessoas que se envolveram vão ter que responder”, afirmou Joenia ao Estadão.

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Na segunda-feira, 15, a Funai divulgou uma nota no site afirmando que identificou “possíveis inconsistências” no relatório da gestão anterior, mas não cancelou os contratos. Após a publicação da reportagem, a presidente do órgão mandou instalar uma nova auditoria. A Funai afirma ter identificado até agora ue os contratos foram assinados no governo anterior com dinheiro liberado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que ordenou fornecimento de alimentos em terras indígenas durante a pandemia da covid-19.

A Funai também começou a fazer um pente-fino nos setores que cuidam dos contratos. No início do governo, chefes regionais foram substituídos, mas servidores continuam lotados em alguns postos administrativos. “Essa análise não é tão rápida, de um dia para o outro. Tem que passar por auditoria, ver os documentos, e não sou quem faço, tem técnico específico”, disse a presidente da fundação. “Foi importante o alerta que foi feito, até porque não é da minha gestão. Tem que analisar.”

A compra de cestas básicas não é uma ação recorrente da Funai, mas cresceu em plena pandemia, quando o governo Bolsonaro usou a decisão do STF para gastar dinheiro público com as aquisições sem licitação. Ao longo de um mês, o Estadão investigou 5,5 mil compras de alimentos para terras indígenas em todo o País e constatou que, a pretexto da crise sanitária, metade foi feita sem licitação. A Funai diz estar reavaliando todos os contratos para decidir sobre a continuidade das compras no governo Lula.