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A disputa eleitoral nas redes sociais

Collor ministro, fim de feriado cristão e fechamento de igrejas: lulistas e bolsonaristas espalham desinformação em massa

Entenda como as campanhas estão circulando informações falsas e usando para atacar o adversário na disputa eleitoral

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Por Redação
Atualização:

Por Levy Teles e Laís Adriana

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Apoiadores do petista Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente Jair Bolsonaro (PL) usam as redes sociais para difundir desinformação em massa. As publicações geram dezenas de milhares de interações e espalham notícias falsas ou conteúdos fora de contexto, como a de que o candidato à reeleição iria acabar com o feriado de Nossa Senhora de Aparecida, em 2023, até a de que o ex-mandatário liberaria todas as drogas.

Apoiadores dos candidatos à Presidência que disputam ao segundo turno disseminam desinformação nas redes. Foto: Gabriela Biló/Estadão e Dida Sampaio/Estadão

Uma imagem que circula no Twitter altera o conteúdo de uma publicação de Bolsonaro no Facebook em que ele teria manifestado o desejo em acabar com o feriado de 12 de outubro a partir de 2023. A informação foi desmentida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do presidente. "Bolsonaro nunca acabaria com um feriado religioso. Nós somos os verdadeiros cristãos", disse. Em grupos de Telegram, por outro lado, bolsonaristas espalham diferentes informações falsas, como um vídeo manipulado para parecer que Lula estaria dando entrevistas embriagado e de que, se a esquerda vencer essas eleições, legalizará todas as drogas.

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Em vídeo divulgado nas redes sociais, o vereador de Belo Horizonte Nikolas Ferreira (PL) associa ouso de drogas, o fechamento de igrejas e a perseguição de padres a Lula. "Quando as igrejas forem fechadas, padres forem perseguidos e proibirem de professar a sua própria fé, faz o L". O material foi divulgado na conta da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) no Instagram.

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Apoiadores de Lula, como o deputado federal André Janones (Avante-MG), publicam uma informação de que o ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) será o ministro da Previdência. Para isso, o parlamentar postou uma imagem adulterada que atribui a informação ao portal de notícias G1. "Alguém sabe se isso aqui é verdade? Mais cedo estava rodando muito no zap, agora vi que postaram aqui no Twitter também", escreveu. "Bora alertar o povo sobre os riscos caso isso ocorra! Se viralizar por lá, já era! É guerra."

Durante a manhã deste domingo, 9, o congressista mineiro usou sua página para publicar desinformação e discutir com bolsonaristas. Um vídeo publicado por ele, recortado e fora do contexto, mostra Bolsonaro dizendo que Collor será ministro e confiscará o benefício dos aposentados.

"Não sei a veracidade disso, mas a princípio não me parece montagem. Recebi via Whats está rodando muito por lá. Esperamos o pronunciamento do Presidente Bolsonaro. Caso seja verdade é grave, e exige uma resposta imediata da sociedade", comentou Janones.

O vídeo tinha uma marca d'água do ex-secretário da Cultura Mario Frias, que reagiu. "Janones utilizou um vídeo com minha marca retirando completamente do contexto o que o Presidente disse. Isso é propagação de fato inverídico com fim eleitoral e eu tomarei as medidas judiciais cabíveis amanhã mesmo. Espero que a justiça seja isenta", escreveu. Janones respondeu a publicação dizendo sobre uma publicação feita por Bolsonaro que associa o líder do PCC Marcola a Lula.

No sábado, Bolsonaro compartilhou um suposto áudio do traficante em que especulam sobre uma vitória de Lula em Bolsonaro. "Marcola, chefão do PCC, confessa que Lula é o melhor para o crime organizado", diz o texto do conteúdo publicado por Bolsonaro.

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No domingo anterior, 2, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, determinou a remoção de publicações que afirmam que Marcola declarou voto em Lula. Na decisão, o ministro diz que a informação é "inverídica e descontextualizada" e que a Corte não pode permitir a circulação de notícias falsas na véspera da eleição.

Ainda durante a tarde deste domingo, Janones discutiu com deputados bolsonaristas, como Carla Zambelli (PL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que apontaram que o material divulgado pelo mineiro era falso.

"Será? Se realmente for fake é gravíssimo! Pela primeira vez temos a mesma opinião! Deixa comigo, vou avisar em todos os grupos de WhatsApp que o vídeo está fora de contexto e que seu pai não falou isso! Mais importante do que vencer é termos eleições limpas", ironizou Janones.

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Ações no TSE

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Na última semana, as equipes jurídicas de ambos os candidatos à Presidência recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral para remoção de publicações e propagandas falsas ou fora de contexto. Na sexta-feira, 7, a campanha de Bolsonaro acionou o tribunal para proibir a propaganda de Lula que o associava ao canibalismo. No sábado, o TSE determinou a suspensão imediata da propaganda por meio de decisão liminar do ministro Paulo de Tarso Sanseverino.

Sanseverino também determinou ao Twitter e ao Facebook a retirada de 31 publicações associando Lula ao ditador da Nicarágua, Daniel Ortega. A decisão gerou polêmica por incluir um post do jornal paranaense Gazeta do Povo e foi tratada como censura por associações de jornalistas. Em entrevista ao Estadão, o presidente-executivo da Associação Nacional de Jornalistas, Marcelo Rech, argumenta que "conteúdos produzidos pela imprensa, ainda que distribuídos por plataformas, seguem sendo material jornalístico, sobre o qual não cabe censura".

Outra ação protocolada pela equipe jurídica de Lula pede a remoção de 34 perfis, classificados pela campanha petista como disseminadores de informações falsas. Entre eles, estão os perfis de Carla Zambelli, Nikolas Ferreira e dos irmãos Carlos e Eduardo Bolsonaro, filhos do presidente. Em live no canal Pilhado neste domingo, Bolsonaro afirmou que não precisa de "fake news" para criticar o partido, apenas "falar a verdade".

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