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Moradores de SP reclamam de falta de energia mais de 20 horas após chuva e cobram Enel

Bairros da zona sul e da região central são os mais afetados; concessionária afirma que 81% do fornecimento foi restabelecido

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Por Marcio Dolzan
Atualização:

Moradores de diversas regiões da capital paulista reclamam que permanecem sem energia elétrica mais de 20 horas após o temporal que atingiu a cidade na tarde de segunda-feira, 8. Na manhã desta terça, relatos nas redes sociais apontam para falta de luz nos bairros da Aclimação, Liberdade, Cambuci, Vila Mariana, entre outros.

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A Enel, responsável pelo abastecimento, informou no início da tarde que 81% dos clientes que tiveram o fornecimento impactado pelo temporal tiveram a energia restabelecida até o momento. Segundo a empresa, 1% dos clientes da distribuidora em São Paulo ficaram sem energia. A empresa não informou, porém, quantos endereços foram afetados.

No Brooklin, na zona sul, parte de um condomínio ficou quase 19 horas sem luz. O serviço só foi restabelecido após às 10h da manhã desta terça, quando técnicos da Enel foram ao local. “Ontem (segunda-feira), antes de acabar a luz deu um estouro muito alto. A queda de energia atingiu a torre 2 do condomínio, cujo fornecimento vem da Rua Flórida. Já a torre 1, que tem o fornecimento vindo da Rua Michigan, não houve problema”, disse Helio Rocha Filho, que é gerente do condomínio.

“Alguns apartamentos tiveram luz normalmente, mas em outros nada funcionava ou então ficavam com a luz piscando”, acrescentou.

Segundo o responsável pelo condomínio, esse tipo de ocorrência é comum naquela região. “Sempre que há fortes chuvas, acontecem esses problemas”, afirmou.

Outras regiões da cidade também permaneciam sem luz na manhã desta terça. “Tá impossível. Estou aqui no Cambuci e a energia caiu ANTES de começar a chuva. Ruas adjacentes já tiveram a luz restabelecida e a gente ainda não. Pularam nossa rua?”, indagou um morador.

Em nota, a empresa informou que o fornecimento foi impactado com a forte chuva, “acompanhada por rajadas de ventos de até 76km/h, que atingiu parte da área de concessão da distribuidora”.

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A Enel acrescentou que os bairros de Moema, Vila Nova Conceição, Jardim Paulista, Planalto Paulista, Jabaquara, Vila Mariana, Pedreira, Pirituba, Centro e Itaquera foram os mais afetados. O município de Santo André também enfrentou problemas de queda de energia.

“De imediato, a companhia reforçou seu plano de ação com aumento das equipes em campo e manobras remotas via sistema de telecomando para minimizar o impacto aos clientes”, justificou a Enel. A empresa não informou previsão de prazo para que o fornecimento seja normalizado.

Apagão foi alvo de CPI na Assembleia

Os problemas recorrentes de queda de energia fizeram com que uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) fosse instalada na Assembleia Legislativa (Alesp) no ano passado. O relatório final, publicado em dezembro, recomendava ao governo do Estado uma intervenção na empresa, o indiciamento de executivos e o encerramento da concessão, prevista para terminar em 2028.

A conclusão da comissão foi de que a empresa descumpriu o contrato de concessão. Além de intervenção e quebra de contrato, a CPI pediu por uma auditoria na gestão realizada entre 2018 e 2023, “para fim de apurar eventuais irregularidades e infrações que culminaram com os expressivos índices de insatisfação dos usuários”, como informava o documento. O texto citava ainda possível negligência e ineficiência na prestação de serviços, em especial após o apagão provocado pelas chuvas de novembro.

Na ocasião, a Enel se defendeu, em nota, afirmando que “vem cumprindo com todos os indicadores de qualidade previstos no contrato de concessão regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A empresa também afirmou que “atendeu a todos os questionamentos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) realizada pela Alesp, apresentou os investimentos que vem sendo realizados e reforça que seguirá comprometida com a melhoria contínua do serviço prestados”.

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