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Gurgel: o sonho do carro 100% nacional que terminou em falência

João Augusto Conrado do Amaral Gurgel defendia carro barato, eficiente e econômico, mas derrapou na expansão da fábrica

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Por Acervo Estadão
Atualização:

Às 13h30 de 1 de março de 1994 um sonho chegava ao fim. Com a fábrica de carros Gurgel sendo lacrada na cidade de Rio Claro, no interior de São Paulo, naquele momento terminava a jornada da primeira e única fabricante nacional de automóveis do Brasil. Por decisão judicial, naquele dia foi decretada a falência da Gurgel, empresa idealizada, criada e administrada pelo engenheiro e empresário João Augusto Conrado do Amaral Gurgel.

João Augusto Conrado do Amaral Gurgel e os carros de sua fábrica em 1984.  Foto: Fernando Pimentel/Estadão

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Desde a década de 1960, Gurgel fabricava carros em pequena escala, sempre os batizando com nomes bem brasileiros e montando-os com motor Volkswagen. Na década seguinte foi pioneiro na fabricação de carros elétricos, expandiu a produção de veículos com motores à combustão e, ganhando grande escala com novos modelos, nos anos 80 os simpáticos carros de sua montadora, agora uma empresa de capital aberto, já faziam parte do trânsito das cidades e estradas.

Mas na década de 1990, as vendas não corresponderam aos enormes custos de uma linha de produção em série. Erros administrativos, endividamento, atraso de salários, greves e demissões levaram à concordata e, depois, à falência. Ao longo de 25 anos, a Gurgel produziu 40 mil veículos.

Ironicamente, a falência em 1994 viria justamente no momento em que havia uma política de incentivo governamental aos carros populares. No dia da falência, João Augusto Conrado do Amaral Gurgel estava em Brasília tentando, sem sucesso, negociar algum tipo de ajuda governamental para o endividamento.

Na semana seguinte à falência, a reportagem especial “A saga Gurgel”, do repórter Celso Zucatelli, no Jornal do Carro, terminava assim:

“João Augusto Conrado do Amaral Gurgel conta que, em 1949, ao concluir o curso de engenharia mecânica na USP, apresentou um trabalho que lhe deu problemas - ao invés de um guindaste, pedido pelo professor, mostrou a idéia de um carro popular. Isto lhe custou uma reprimenda, com o mestre dizendo que “carro é coisa para multinacional”. Quem será que estava certo?”

Reveja a trajetória da Gurgel em páginas e fotos do Estadão.

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Alguns modelos de carros da Gurgel

Reportagem especial do Jornal do Carro de 9/3/1994 sobre a falência da Gurgel. Foto: Acervo Estadão

Carro elétrico

Primeiras imagens do Itaipu, o carro elétrico da Gurgel. Imagem publicada no Estadão em 6/01/1974 Foto: M.S./Estadão
Primeiras imagens do Itaipu, o carro elétrico da Gurgel. Imagem publicada no Estadão em 6/01/1974 Foto: M.S./Estadão

Jornal da Tarde - 9 de janeiro de 1974

Reportagem sobre o teste de carros elétricos da Gurgel no Jornal da Tarde de 9 de janeiro de 1974. Foto: Acervo Estadão
Carro da Gurgel no Salão do Automóvel em 1988. Foto: Luludi/Estadão
Modelo Gurgel 1988 Foto: Oswaldo Luiz Palermo/Estadão
Carro elétrico Itaipu,d a Gurgel, em 1975.  Foto: Arualdo/Estadão

Estadão - 19 de agosto de 1990

Reportagem sobre a Gurgel no Estadão de 19 de agosto de 1990. Foto: Acervo Estadão

Estadão - 26 de novembro de 1988

Anúncio da Gurgel em 26 de novembro de 1988. Foto: Acervo Estadão

Estadão - 2 de março de 1994

Reportagem sobre a falência da Gurgel no Estadão de 2 de março de 1994. Foto: Acervo Estadão
João Augusto Conrado do Amaral Gurgel e o Gurgel BR-800.  Foto: Janil Ismail/Estadão
João Augusto Conrado do Amaral Gurgel na fábrica em 1990.  Foto: Waldemar Padovani/Estadão
João Augusto Conrado do Amaral Gurgel em 1989.  Foto: Waldemar Padovani/Estadão
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