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CCXP tem fila de 1 hora por button, casamento cosplayer e bebê geek

Primeiro dia do festival de cultura pop e geek em São Paulo reuniu milhares de fãs de games, filmes, séries e quadrinhos - e proporcionou memórias para famílias inteiras

Foto do author Simião  Castro
Por Simião Castro

Ficar mais de uma hora numa fila por um button. Renovar os votos de casamento rodeado de pessoas fantasiadas de heróis, feiticeiros e monstros. E até circular pelos corredores empurrando carrinho com bebezinho. Isso tudo pode valer a pena se você é um apaixonado por cultura pop na CCXP.

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Foi isso e um tantão mais que encontrou quem foi ao festival nesta quinta-feira, 30, primeiro dia oficial do evento. Apesar do alto fluxo de pessoas, era visível pelos espaços livres entre os estandes que o ápice de público ainda não chegou. Mas, também, uma quinta-feira. É natural menos gente.

Isso, aliás, foi o que atraiu diversos casais a trazerem os bebês para a CCXP. Não raro, entre os pavilhões, as pequenas figurinhas rechonchudas apareciam acompanhadas dos pais. E a experiência era boa. “É uma delícia vir com bebê”, disse a analista de planejamento, Thais Mesquita, que foi grávida à CCXP de 2022 e agora voltou com neném.

“Tem infraestrutura para tudo isso. Na verdade, para a gente é como se fosse o Natal do nerd. A gente espera por esse momento o ano inteiro”, completou a analista. Ao lado, Ruan, o pai corrobora. “Está sendo ótimo”, afirmou o professor de educação física. “Todo mundo passa e baba. Eu fico acompanhando.”

Fernando Andrade e Sofia Busico com a filhinha Alice na CCXP 23 Foto: Simião Castro/Estadão

Eles contam que conseguiram até entrar em ativações, como são chamadas as atividades que ocorrem dentro dos estandes das marcas. “Em algumas ele consegue participar, interage junto com a gente. Outras não, mas está sendo uma maravilha”, comemora.

Já Tiago Bezerra de Magalhães, foi com a mulher, o afilhado pré-adolescente e o bebezinho de colo para compartilhar do amor pela cultura pop. “E meu primeiro filho. Trazer ele para mim é uma alegria, eu gosto muito disso. Venho todos os anos, desde o primeiro eu estou aqui. É uma felicidade enorme”, conta o pai, que é coordenador de treinamento.

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Do topo da experiência de frequentar as dez edições da CCXP, Tiago avaliou que o festival estava relativamente vazio no meio da tarde, em comparação com o que conhece do evento. Ainda não tinha entrado em estandes com o bebê, porém afirmou que tentaria se encontrasse algum interessante.

Fernando Andrade e Sofia Busico com a filhinha Alice na CCXP 23 Foto: Simião Castro/Estadão

Mas quem levou a neném para dentro até do Palco Thunder, o maior - e mais barulhento - da feira, foi o servidor público Fernando Andrade. Acompanhado da mulher, a engenheira Sofia Busico, eles empurravam o carrinho da pequena e esperta Alice, de um ano e dois meses.

“É muito estímulo, muita luz e muito som, só que ela está lidando super bem. Está super interessada, querendo interagir, participar. Ela é muito curiosa”, conta o pai, que reforça que para se locomover com ela pelo pavilhão reduz a velocidade e redobra os cuidados.

“Está fácil porque as pessoas abrem caminho, tem acessibilidade”, aponta. Uma vantagem, é que pessoas com crianças de colo têm acesso preferencial em todos os espaços da CCXP.

Só que Fernando vai voltar sozinho nesta sexta: “Para poder aproveitar mais”, diz. O que faz sentido, porque a tendência é o público só aumentar. Os efeitos, já começaram a ser sentidos na quinta.

Primeiro dia da CCXP 23 foi marcado pelas habituais filas nos estandes, mas nem todo mundo reclamou Foto: TABA BENEDICTO / ESTADAO

Calor e filas

Por vezes o pavilhão da São Paulo Expo ficava um tanto abafado e quente. Nem o robusto sistema de condicionamento de ar foi capaz de manter o espaço fresco 100% do tempo. E o principal sintoma da feira era percebido facilmente: as filas.

Não na entrada. O fluxo desde a abertura dos portões, ao meio-dia, foi muito tranquilo. Acessos organizados e sem tumultos. Mas tentar um lugar nas ativações podia ser um calvário.

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“Eu fiquei duas horas aqui”, disse o estagiário de TI, Eduardo Silveira Alves, que acabava de descer um enorme escorregador inflável para ganhar um brinde. Apesar disso, a organização do espaço foi inteligente: transformou a própria fila em um jogo de tabuleiro.

No alto, um telão exibia um dado que girava e mostrava um número. Quem estivesse na casa correspondendo do tabuleiro da fila ganhava um prêmio - que poderia ser de furar a fila e passar na frente a um videogame.

Eduardo ganhou somente uma camiseta após a maratona, mas não achou ruim. “Um menino ganhou um controle do Xbox ali, então talvez valesse a pena. Com certeza amanhã eu volto aqui”, cravou.

Cosplayers são figurinhas carimbadas da CCXP  Foto: TABA BENEDICTO / ESTADAO

Outro que empenhou bastante tempo do dia em fila foi o estagiário de marketing Gustavo Genaro. Foi cerca de uma hora até entrar na ativação, que durou cerca de vinte minutos. “Acho que valeu muito a pena. Está bem tipo fiel ao jogo, todo um estilo anos 50, pós-apocalíptico “, avaliou. De brinde na saída, um pin de prender na roupa.

Há também estúdios de cinema organizando a fila online, liberando horários de marcação periodicamente. O sistema funciona, mas também tem gargalos: a concorrência feroz dos participantes, problemas técnicos e até mesmo restrições da rede de dados e de bateria dos dispositivos.

“Eu prefiro o sistema de fila. Por mais junte [muito público] a gente tem acesso. Foi uma dificuldade achar o site de agendamento”, afirma a estudante Ana Clara Silva.

Casamento na CCXP

Quem não teve que enfrentar fila foi o casal Lucas Monteiro e Beatriz Fontes de Oliveira Alves. Os lugares deles estavam reservados do altar fictício montado no estande de uma plataforma de streaming para a celebração do casamento deles. Mas calma, era só simbólico.

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Os dois são fãs de Harry Potter e foram os primeiros a declararem o “sim” do enlace em uma CCXP. Mais tarde, outros casais também puderam participar da ação com trajes temáticos e sair de lá com um certificado de casamento - de brincadeirinha -, foto impressa e lembrancinhas.

Lucas e Beatriz já são casados de papel passado há quase cinco anos. Eles viram a oportunidade como uma renovação de votos. “Foi muito nostálgico e é sempre muito emocionante descer as escadas vestida de noiva”, disse Beatriz, que usava um vestido branco, coberto com uma capa de bruxa e cachecol da Grifinória.

Lucas Monteiro e Beatriz Fontes de Oliveira Alves se casam novamente - de brincadeira - durante a CCXP 23 Foto: Rafael Dornelles/Divulgação

“Foi muito legal ter outras pessoas presentes também, tão fãs de Harry Potter quanto a gente. Foi uma experiência bem diferente do primeiro casamento e emocionante também”, contou Lucas, que é youtuber de cultura pop. O celebrante foi Thiego Novais, que também é youtuber, mas especializado em Harry Potter.

Ao final, teve até arremesso de buquê.

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