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Tom Jones: ‘As pessoas querem se aposentar. Eu não. Estou me divertindo muito e vou odiar parar’

Aos 83 anos, o cantor de sucessos como ‘It’s Not Unusual’ é muito elogiado por voz e performance em shows. Ele, que vem ao Brasil este ano, falou ao ‘Estadão’ sobre música e até sobre seu antigo amigo Elvis Presley; relembre os maiores sucessos

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Por Sabrina Legramandi
Foto: Divulgação/Tom Jones
Entrevista comTom JonesCantor

“Esse não é o jeito de se divertir”. Tom Jones brinca e canta sobre festas e a juventude em Mama Told Me Not to Come, uma versão de 1999 em parceria com a banda Stereophonics, mas, em 2024, parece ter, ainda mais, certeza do jeito certo de se divertir.

Aos 83 anos, a voz do cantor continua robusta e cristalina como sempre. Mais do que ainda possuir a técnica para novos lançamentos, Jones possui a potência: segue se apresentando em shows com performances extremamente elogiadas pela crítica internacional.

Em abril, ele promete trazer essa força também ao Brasil com uma apresentação única marcada no Espaço Unimed, em São Paulo, no dia 17. Ainda há ingressos. Confira aqui.

Nascido no País de Gales, Jones é figura onipresente na cultura pop, especialmente a britânica: em 2006, recebeu o título de Sir pela Rainha Elizabeth II, já foi retratado em um episódio dos Simpsons e fez participação em produções como Marte Ataca, de Tim Burton. Em seu círculo íntimo, já estiveram nomes como Elvis Presley e Frank Sinatra e, em apresentações recentes, o artista já cantou com figuras como Ed Sheeran e Florence + The Machine.

O cantor ainda faz questão de se manter presente no cenário musical. Em 2021, ele chegou a superar um recorde de Bob Dylan: seu álbum Surrounded By Time fez dele o homem mais velho a reivindicar o primeiro lugar na parada oficial de álbuns do Reino Unido. Ele também é um dos jurados na versão britânica do reality musical The Voice.

O cantor britânico Tom Jones. Foto: Tom Jones/Divulgação

Foi lá atrás, nos anos 1960, que Jones viu sua trajetória na música tomar forma. Ele abandonou a escola ainda jovem – com 15 anos –, se casou com 17 e, logo depois, assinou um contrato com a Decca Records. O artista é versátil: passeia com propriedade pelo pop, soul e, principalmente, R&B.

Jones tem bagagem suficiente para reafirmar seu papel na música, mas há apenas uma coisa que o artista odiaria fazer: se aposentar. Em conversa com o Estadão, o cantor revelou o que ainda o mantém ativo na arte, as expectativas para sua próxima apresentação no Brasil, opinou sobre o mercado musical com o streaming e até conjecturou como Elvis se comportaria hoje, neste novo cenário da música.

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O senhor está prestes a vir mais uma vez ao Brasil. Qual a sua melhor memória daqui? E quais são as expectativas para seu retorno?

Eu estou indo para o Brasil na esperança de satisfazer o público brasileiro. Eu não penso muito em como vai ser ou algo do tipo: ‘O que eu vou ganhar com isso? O que posso oferecer?’. Eu vou corresponder às expectativas das pessoas em relação a mim.

Graças a Deus, minha voz funciona tão bem como nunca e meu desejo de cantar continua forte.

Tom Jones

Eu fui pela primeira vez ao Brasil no início dos anos 1970. Eu amei ir para o Rio, conhecer a Praia de Copacabana. Eu queria ver tudo aquilo por causa da canção Garota de Ipanema – eu conhecia muito bem a música brasileira e queria ver tudo isso na vida real. Foi o que fiz.

Desde então, eu estive no Brasil inúmeras vezes e sempre tenho experiências maravilhosas - e o público é fantástico. Eu não posso fazer tudo o que fiz nas primeiras vezes em que estive aí, mas está tudo bem. Estou ansioso para ir ao Brasil tanto quanto antes.

O senhor sempre foi muito elogiado pela sua presença de palco e pela qualidade da sua voz. Do início da carreira até agora, mudou algo em sua preparação?

Eu acho que isso vem com a experiência. O jeito que você escuta [músicas], o jeito que você se apresenta é diferente agora. Quando você é mais novo, a ideia que tem das coisas é diferente de quando você tem mais experiência.

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Quando eu era mais jovem, eu costumava “atacar” as músicas. E alguns dos artistas mais velhos, como Frank Sinatra, me orientavam sobre isso. Uma vez, Frank me disse: ‘Você não precisa ‘atacar’ tudo’. Você não pode dizer isso a uma pessoa jovem, mas é um velho ditado – e é verdade: você não pode colocar uma cabeça mais velha sob ombros novos.

Você precisa experimentar essas coisas. Eu não ‘ataco’ mais as músicas como eu costumava fazer, mas há muita diversão. Eu acho que me divirto mais agora. Eu ainda costumo trazer muitas canções que eu cantava há 50 ou 60 anos, como It’s Not Unusual, What’s New Pussycat? e Delilah, mas de uma forma diferente, para fazê-las interessantes.

O que ainda o faz ter vontade de continuar pisando nos palcos e cantando?

É o amor. Um monte de gente busca se aposentar. Eu não. Eu não quero me aposentar porque estou me divertindo muito. Essa é a verdade: eu amo fazer o que faço. Quando o tempo chegar e eu não for mais hábil – fisicamente e vocalmente –, eu vou odiar isso. Enquanto eu puder fazer isso, enquanto eu curtir isso e enquanto eu tiver a habilidade vocal para fazer isso, eu não quero parar.

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Tom Jones faz apresentação única no Espaço Unimed, em São Paulo, em abril. Foto: Live Nation/Divulgação

O significado de música mudou, para o senhor, ao longo dos anos?

Eu acho que entendo mais as músicas do que quando eu era mais novo. Eu aprecio as coisas, acho que mais agora do que quando eu era mais jovem. Então, as coisas mudam. De verdade. O som da música muda, mas a essência da música não. O sentimento ainda é o mesmo.

Às vezes, ela soa diferente pela técnica e pelo gosto das pessoas. Mas eu ainda amo fazer parte disso. Esse é o motivo de eu fazer parte do The Voice UK. Eu estou no programa para ajudar cantores jovens e tentar dar a eles um pouco das minhas experiências.

Hoje, o mercado da música mudou consideravelmente. Enxergamos muito a influência das redes sociais e as músicas estão cada vez mais ‘rápidas’. Isso é negativo?

Como tudo na vida, há vantagens e desvantagens. Há coisas boas em como a música é apresentada hoje: muitos cantores conseguem aproximar sua música do público, talvez até sem ter contratos com gravadoras. Você pode fazer isso da sua casa, do seu computador agora.

Mas, de novo, eram tempos mais simples. Você tinha alguns hits, então poderia fazer um álbum. Era uma coisa mais sólida. Você tinha 45 gravações, então você tinha um álbum, que era em vinil. Eu acho que, com o streaming, você pode ouvir as coisas sem necessariamente ter o produto. Você sabe, a música está no ar agora.

Ela não está necessariamente em um toca-discos, em uma fita cassete ou em um tocador de CD. Ela está nas ondas de ar. Quando você tem o álbum em vinil, você tem um pedaço da história da gravação e de quem a pessoa era. Há um pouco de história envolvida quando você segura algo sólido nas suas mãos, ao contrário de quando as coisas estão no ar.

Mas você precisa se mover com o tempo. Você não pode simplesmente dizer: ‘Oh, as coisas não são como costumavam ser’. E você não quer ficar preso ao passado. Eu não quero. Gosto de seguir em frente.

E como acha que amigos que já se foram, como Elvis, se comportariam e o que pensariam da música atual?

Elvis era muito curioso. Ele gostava de ouvir novos cantores e não se desligava musicalmente. Ele queria se colocar à frente e ele amava competir com qualquer um que estivesse ao redor.

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Eu acho que ele seria o mesmo hoje. Ele seria como eu: eu ainda amo cantar e eu tenho certeza de que Elvis, se estivesse vivo hoje, ainda iria querer gravar, independentemente de como estivesse a indústria. Eu acho que ele teria lidado com isso, porque eu fiz o mesmo. Eu curto muito isso e tenho certeza de que ele curtiria também.

Relembre 5 dos maiores sucessos de Tom Jones

It’s Not Unusual

What’s New Pussycat?

She’s a Lady

Sexbomb

Delilah

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