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Bolsonaristas se opõem à reforma tributária e prometem votos contrários do PL

Deputados afirmam que Lira tenta colocar em votação uma proposta que ainda ‘não está madura’; Bolsonaro se manifesta contra reforma nas redes

Foto do author Mariana Carneiro
Foto do author Adriana Fernandes
Por Mariana Carneiro e Adriana Fernandes
Atualização:

BRASÍLIA - Deputados aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se dizem contrários à proposta de reforma tributária e prometem se opor à votação. Nesta segunda-feira, 3, o PL bloqueou a votação do projeto que altera o funcionamento do Carf, que está trancando a pauta na Câmara. Parlamentares da sigla dizem que esse já foi um “recado” ao presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), de que a mudança nos impostos “não está madura”.

A oposição entre os bolsonaristas do PL começou a ganhar corpo no fim de semana, após um post de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) contra a reforma tributária.

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“Já adianto meu voto contrário. O brasileiro não aguenta mais imposto, quanto mais o pobre”, escreveu o filho do ex-presidente, reverberando crítica da Abras (Associação Brasileira de Supermercados) de que a reforma, como está, vai encarecer a cesta básica. O governo contesta essa informação e diz que os cálculos estão errados.

Nesta terça-feira, 4, Jair Bolsonaro também se manifestou contra a reforma em tramitação na Câmara, esquentando a temperatura do debate. “Reforma Tributária do PT: um verdadeiro soco no estômago dos mais pobres”, publicou o ex-presidente no Twitter. “Do exposto o presidente do PL e seu líder na Câmara dos Deputados encaminharão, junto aos seus 99 deputados, pela rejeição total da PEC da Reforma Tributária.”

Os deputados do partido devem se reunir nesta terça-feira, 4, para discutir a reforma, e querem ouvir técnicos. Não descartam que o partido feche questão contra a proposta, o que obrigaria os parlamentares a votar em bloco - a bancada do PL tem 99 deputados. Dizem ter a bênção do cacique do PL, Valdemar Costa Neto, que já demonstrou preocupação com um potencial aumento de impostos - versão que é contestada pelo relator, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).

Outro deputado do PL da ala bolsonarista, Ricardo Salles (PL-SP), diz estranhar o ritmo de votação empregado por Lira. O presidente da Câmara cancelou o sistema de marcação de presença à distância, o que obrigou os deputados a viajarem às pressas para Brasília nesta segunda. Isso aumentou o clima de insatisfação no PL.

“Minha opinião é que esta reforma não é boa e aprová-la na velocidade que se pretende só demonstra que não confiam na qualidade do texto apresentado”, afirmou Salles. “A parte do PL não sujeita aos interesses do governo votará contra”, disse.

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A deputada Bia Kicis (PL-DF) afirma que a oposição à reforma é uma “posição ampla” dentro do PL, o que abarcaria também, além de bolsonaristas, os membros da sigla que são do Centrão.

Eduardo Bolsonaro (PL-SP) já adiantou voto contrário à reforma tributária. Foto: Pedro França/Agência Senado

“Uma reforma tão estruturante quanto essa não pode ser votada dessa forma. De qualquer jeito, essa PEC é uma loucura, vai ser muito ruim para o País. Não vai clarear, não vai simplificar nada”, disse Kicis.

Ela se queixa ainda que a reunião de líderes convocada por Lira no domingo, 2, à noite não contou com a presença de nenhum representante do PL, nem da minoria na Câmara. “Como fazer uma reunião de líderes sem a oposição?”, questiona.

Membro da ala mais moderada do PL, o deputado Luiz Carlos Motta (PL-SP) afirma que, se o relator aceitar “consertar” o texto à luz das propostas feitas pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), “fica mais fácil para defender”.

Uma das principais peças nesse xadrez da oposição será o posicionamento do governador paulista, que negocia mudanças no texto na reta final da votação na Câmara. Como mostrou o Estadão, Ribeiro estuda rever a centralização da arrecadação, após pressão de Tarcísio.

A reforma tributária, disse um bolsonarista que preferiu falar sob reserva, é um tema que envolve interesses de governadores e prefeitos, além de diferentes setores econômicos. Por isso, ele acredita que a força de Lira para acelerar a votação tende a ser limitada.

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