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Os planos da Uliving para dobrar de tamanho no mercado de moradia estudantil no Brasil

Empresa vai investir R$ 450 milhões entre 2025 e 2028 para se firmar na liderança do setor

Foto do author Circe Bonatelli
Por Circe Bonatelli (Broadcast)

A Uliving, empresa de moradias estudantis, vai investir R$ 450 milhões entre 2025 e 2028 para dobrar de tamanho e se firmar na liderança desse mercado no País. A empresa pertence às gestoras de investimentos imobiliários VBI Real Estate e a britânica Grosvenor.

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O movimento marca o início do segundo ciclo de aportes neste mercado. O setor de residências estudantis é bastante desenvolvido na Europa e nos Estados Unidos, mas ainda está engatinhando por aqui. Os primeiros grandes investimentos empresariais no Brasil foram feitos há menos de uma década, encabeçados pela Uliving e pela Share, pioneiras locais. Juntas, elas apostaram em torno de R$ 700 milhões para montar um portfólio consolidado de 3,2 mil camas para alugar a estudantes em apenas seis cidades do País.

A título de comparação, a maior do mundo no segmento é a americana Greystar, que administra 122 mil camas em 16 países. Recentemente, ela assumiu a operação da Share no Brasil.

“Como investidores, estamos felizes. Os empreendimentos em operação comprovaram a viabilidade da tese. A ocupação é boa, e o resultado financeiro justifica o investimento que estamos preparando na próxima rodada”, afirmou o sócio fundador da VBI Real Estate, Ken Waimer, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

Objetivo da Uliving é dobrar de tamanho e se firmar na liderança desse mercado no País entre 2025 e 2028  Foto: Fabio Melo/Uliving

A Uliving tem seis prédios em funcionamento e outros dois em obras com entregas previstas para este ano, totalizando oito empreendimentos. Desse total, três ficam em São Paulo (Jardins, Pinheiros e Higienópolis), dois em Porto Alegre e um nas cidades do Rio de Janeiro, Campinas e Santos. Juntos, somam 2,2 mil camas.

No próximo ciclo de investimentos, o objetivo é dobrar a oferta, chegando a 4 mil camas. A intenção é montar mais unidades em São Paulo, Campinas e Rio, bem como chegar a novas praças, como Belo Horizonte, Recife e Salvador, citou Waimer.

A empresa compra e reforma prédios antigos ou ergue edifícios do zero, de acordo com a disponibilidade de imóveis na região. Em geral, os prédios ficam próximos de faculdades, já que o foco é atender o jovem que acabou de se mudar de cidade para cursar a graduação. Há, também, alunos em etapa de pré-vestibular, cursos técnicos e pós-graduação.

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A ocupação está em 90% no caso dos prédios abertos há pelo menos três anos - que é o tempo estimado para cada ativo chegar ao pleno funcionamento. A Uliving faturou R$ 30 milhões em 2023 e projeta crescimento de 40% neste ano, chegando a R$ 42 milhões, o que deve ocorrer graças a três fatores: entrega de dois prédios, aumento da ocupação e reajuste do aluguel em prédios mais velhos.

Gestão e desafios

Antes de definir o plano de investimentos, a Uliving passou por uma troca de comando. O executivo Ewerton Camarano assumiu a presidência no lugar do sócio fundador, Juliano Antunes, que segue como conselheiro. Camarano passou cinco anos na concorrente Share e 12 anos na rede hoteleira Accor.

Na sua avaliação, um dos maiores desafios do setor é se tornar conhecido, já que a maioria dos estudantes monta as famosas ‘repúblicas’ por conta própria ou recorre à casa de parentes. “Estamos tentando preencher uma lacuna e mostrar o que é a residência universitária profissional. Ainda falta conhecimento, muita gente não ouviu falar”, disse.

Mercado brasileiro tem 6,6 milhões de universitários, sendo mais de 5,5 milhões em cursos presenciais Foto: Marcelo Chello/Estadão

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Na Uliving, os aluguéis partem de R$ 2,2 mil por mês por uma cama em quarto compartilhado ou um estúdio individual. O valor inclui condomínio, internet, energia e manutenção. O ambiente já é mobiliado, e o prédio tem áreas comuns de lazer, como terraço e sala de jogos, para estimular o convívio.

Outra barreira para o setor crescer, segundo Waimer, é não ficar limitado ao público de maior poder aquisitivo. “O mercado brasileiro é grande, tem 6,6 milhões de universitários, sendo mais de 5,5 milhões em cursos presenciais. O desafio para o setor é fazer um produto imobiliário de qualidade, mas também acessível. Queremos ir além da classe A e atingir também a B”, declarou Waimer.

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