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Não, emir do Catar não disse em discurso na Copa que eleições brasileiras foram roubadas

Vídeo que circula no WhatsApp insere legendas falsas sobre fala de Tamim bin Hamad al-Thani na cerimônia de abertura da competição

Por Alessandra Monnerat
Atualização:

É falso que o emir do Catar, Tamim bin Hamad al-Thani, tenha afirmado no discurso de abertura da Copa do Mundo 2022 que as eleições no Brasil foram fraudadas. Um vídeo que circula no WhatsApp exibe a fala de Tamim bin Hamad durante a cerimônia acrescida de legendas falsas, que fazem parecer que o catariano apoia as manifestações bolsonaristas contra o resultado das eleições. Na realidade, o homem forte do Catar apenas deu as boas-vindas a visitantes, afirmando que o país estava de "braços abertos" a todos.

Leitores pediram a checagem por WhatsApp: (11) 97683-7490.

 Foto: Estadão

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A fala do emir na abertura da Copa foi breve, e buscou passar uma mensagem de inclusão. O líder do país é criticado por violações a direitos humanos e trabalhistas. "Recebemos a todos de braços abertos na Copa do Mundo 2022. Nós trabalhamos e fizemos muitos esforços para garantir o sucesso desta edição", disse Tamim bin Hamad. "Durante 28 dias, vamos acompanhar essa festa de futebol nesse espaço de diálogo e civilização. As pessoas, por mais que sejam de culturas, nacionalidades e orientações diferentes, vão se reunir aqui no Catar. Que beleza juntar todas essas diferenças",

No vídeo com legendas falsas, o catariano parece dizer que as eleições no Brasil foram "roubadas" e que presta solidariedade a participantes de manifestações antidemocráticas. "Ao povo honesto e trabalhador que estão (sic) nas ruas protestando, os patriotas, queremos incentivá-los a não desistir a lutarem para seus ideais, a serem fortes e perseverantes. Não aceitem serem (sic) enganados. Que não permitam que a esquerda tome o poder", diz trecho da legenda falsa.

O discurso do emir catariano foi transmitido por veículos de imprensa de todo o mundo e publicado na íntegra por diferentes portais brasileiros, como UOL e Yahoo. Em nenhum momento ele cita o Brasil ou as eleições.

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