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Vídeo compila teorias da conspiração sobre o grafeno

Postagem nega evidências científicas; minério não está presente nas vacinas contra covid-19 ou em alimentos

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Por Gabriela Meireles

O que estão compartilhando: vídeo afirma que o grafeno está sendo introduzido em medicamentos, injetáveis, produtos de higiene e cosméticos. As partículas dessa substância também estariam no ar, na água e nos alimentos.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. Não há grafeno em alimentos ou na formulação de vacinas contra o coronavírus, como o Estadão Verifica e o Projeto Comprova já desmentiram em outras ocasiões. Além disso, é fisicamente impossível que as vacinas contra covid “magnetizem” os pacientes. Acusações infundadas sobre “grafeno escondido” em alimentos ou imunizantes são teorias da conspiração.

Acusações infundadas sobre “grafeno escondido” em alimentos ou imunizantes são teorias da conspiração. Foto: Reprodução/Instagram

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Saiba mais: No início do vídeo, é mostrada uma substância escura sendo moldada por um imã, que sequer é grafeno. Por meio da busca reversa de imagens, descobrimos que se trata simplesmente de um brinquedo de ferrofluido magnético, em que metais como magnetita, zinco ou manganês imersos em um óleo se movem quando um ímã se aproxima.

De acordo com o Projeto Comprova, o grafeno é das formas do carbono, extremamente fino, resistente, transparente e leve, além de ser capaz de conduzir correntes elétricas. O material é obtido por meio da extração do grafite, um dos materiais mais abundantes da Terra, e está presente em produtos como lápis e painéis fotovoltaicos.

O uso desse mineral não é permitido em alimentos e sequer é autorizado em materiais que tenham contato com eles, como embalagens, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Não tem grafeno nas vacinas

A postagem mostra vídeos em que moedas, colheres e outros objetos metálicos parecem “grudar” no braço de pessoas, onde supostamente elas teriam se vacinado. Também são conteúdos falsos, dado que é fisicamente impossível que vacinas contenham algum tipo de solução metálica capaz de atrair ímãs ou de atuar como um.

Na explicação de Alberto Nájera, professor de Radiologia e Medicina Física na Universidade de Castilla-La Mancha e integrante do Comitê Científico Consultivo em Radiofrequências e Saúde (CCARS) da Espanha, conseguir uma atração forte o suficiente para segurar um ímã na pele exigiria que a injeção contivesse uma quantidade de substância magnética tão grande que não caberia em uma agulha.

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Nájera explicou em uma verificação de 2021 da agência espanhola Efe Verifica que o efeito de adesão na pele é somente “um efeito de pressão, um efeito de sucção”, causado pela “umidade da própria pele”. Qualquer pessoa pode fazer uma brincadeira parecida, em que “cola” uma moeda na testa ou uma colher de chá no nariz depois de passá-la no vapor.

O Estadão esclareceu em outra ocasião que as bulas das vacinas Pfizer, Coronavac e Janssen, que são distribuídas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), não citam a presença do minério na composição. O conteúdo verificado aqui foi postado em colaboração por cinco perfis no Instagram, entre eles contas privadas, canais de variedades e um perfil profissional. Não houve retorno de nenhum deles até o fechamento da checagem.

O que fazer diante de postagens desse tipo: Muitas teorias da conspiração tentam convencer de supostas intenções maldosas por trás de vacinas e de novas tecnologias. No conteúdo verificado aqui, por exemplo, isso pode ser observado no texto da postagem, que menciona planos de “elites satânicas” e no uso de hashtags como “fim dos tempos”, “controle mental” e “marca da besta”. Leia aqui algumas estratégias para identificar teorias da conspiração. 

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