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Agricultores europeus protestam contra acordos da UE envolvendo Ucrânia e Mercosul

Os agricultores dizem que não recebem o suficiente, são sufocados por impostos e regras de sustentabilidade e enfrentam concorrência desleal do exterior

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Por Redação
Atualização:

PARIS -Os protestos dos agricultores seguem acontecendo na União Europeia, especialmente na França, onde o bloqueio das estradas continua pelo 14º dia consecutivo, apesar das concessões da Comissão Europeia.

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Mais de mil tratores e máquinas agrícolas também tomaram várias avenidas de Bruxelas, capital da Bélgica, deixando cenas de caos, horas antes de uma reunião entre os líderes dos 27 países da UE nesta quinta-feira, 1.

Na quarta-feira, agricultores franceses e belgas bloquearam um acesso fronteiriço entre os dois países para denunciar acordos comerciais com países fora do bloco e exigir “anúncios fortes”. Agricultores de diversos países europeus como Espanha, Itália e Alemanha também se juntaram aos protestos.

A Comissão Europeia apresentou propostas na quarta-feira, 31, para limitar as importações agrícolas da Ucrânia e flexibilizar regulamentações de sustentabilidade com o intuito de suprir algumas das demandas dos agricultores, mas o setor continuou com os protestos.

Agricultores franceses protestam contra possíveis acordos comerciais da União Europeia com outros países em Paris, França  Foto: Emmanuel Dunand/AFP

Embora os protestos dos agricultores não estejam na agenda do encontro, o presidente da França, Emmanuel Macron, abordou o tema com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Um dos principais pontos de tensão é o acordo que a UE e o Mercosul negociam há 20 anos e que, segundo os agricultores, representaria um grave revés para o setor na Europa.

O ministro da Economia francês, Bruno Le Maire, ressaltou que Paris é contra o acordo com o Mercosul em sua forma atual.

Protestos

A França segue sendo o epicentro das manifestações dos agricultores europeus e mais de 80 foram presos em Paris na quarta-feira após bloquearem ruas da capital francesa e um importante mercado.

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Os agricultores dizem que não recebem o suficiente, são sufocados por impostos e regras de sustentabilidade e enfrentam concorrência desleal do exterior.

“As expectativas (dos agricultores) são enormes e vão além do que se pode imaginar”, disse Arnaud Rousseau, chefe do poderoso sindicato francês FNSEA. “O que está acontecendo neste momento decorre do acúmulo de regras que no início você aceita... até que se torna demais.”

Agricultores franceses protestam na fronteira do país com a Espanha por conta das regulações da UE  Foto: Guillaume Horcajuelo/EFE

Os protestos em toda a Europa precedem as eleições para o Parlamento Europeu em junho. A extrema direita deve conquistar uma parcela considerável de assentos e os agricultores representam um eleitorado crescente.

A mobilização se espalhou por diversos países da UE. Depois de França, Alemanha e Itália, os agricultores portugueses iniciaram diversos protestos nesta quinta-feira nas estradas do país para exigir a “valorização” de suas atividades.

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Na Espanha, o ministro da Agricultura, Luis Planas, anunciou que receberá na sexta-feira, 2, os três principais sindicatos do setor. O setor rural espanhol atravessa um momento difícil devido à seca que atinge partes do país há três anos e reduziu significativamente as colheitas de azeitona e cereais. Os seus sindicatos também denunciam a “burocracia sufocante” da UE.

Embora em situações diferentes, as mesmas queixas ressoam na maioria dos países: burocracia complexa da UE, rendimentos muito baixos, inflação, concorrência externa e acumulo de regulamentações.

Propostas da Comissão Europeia

A Comissão Europeia propôs na quarta-feira mais medidas exigidas pelos agricultores, incluindo a limitação das importações agrícolas da Ucrânia. A medida precisa ser aprovada pelos governos da UE e pelo Parlamento Europeu e introduz uma “trava” para alguns produtos importados da Ucrânia como ovos e açúcar, permitindo tarifas se as importações excederem os níveis médios de 2022 e 2023,

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A Comissão também propôs isentar os agricultores, até 2024, da obrigação de manterem uma parte mínima das suas terras em pousio, que consiste em “descansar” a terra cultivável para melhorar a vitalidade da plantação e evitar queda de produtividade. A proposta da Comissão Europeia também permite que os agricultores continuem recebendo subsídios da UE.

Países vizinhos da Ucrânia que fazem parte da UE, como Bulgária, Hungria, Polônia, Romênia e Eslováquia, também reclamam que as importações agrícolas ucranianas prejudicaram os agricultores destes países, que também iniciaram protestos em janeiro./com AFP

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