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Os três mitos sobre a pressão de Trump contra a ditadura de Maduro na Venezuela

Trump está certo em pressionar a Venezuela, mas sua ação isolada é um erro

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Foto do autor Andrés Oppenheimer

E se os Estados Unidos invadirem a Venezuela?

Disparidade militar entre EUA e Venezuela é abissal: enquanto Washington tem as Forças Armadas mais poderosas do mundo, Caracas ocupa apenas a 50ª posição. Crédito: Amanda Botelho e Gabriella Lodi/Estadão

Existem três mitos sobre a crescente campanha de pressão do presidente Trump contra o ditador venezuelano Nicolás Maduro que vêm sendo repetidos pela imprensa internacional nos últimos dias. Todos os três estão completamente equivocados.

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O primeiro mito é que o apoio do governo Trump à líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, seria uma repetição exaustiva da tentativa fracassada de Trump, em 2019, de alçar ao poder o ex-líder anti-Maduro Juan Guaidó.

Há, contudo, diferenças cruciais. Naquela época, não havia uma pressão militar comparável dos EUA sobre Maduro para que ele renunciasse. E, embora Guaidó fosse o presidente legitimamente eleito da Assembleia Nacional — de maioria oposicionista —, seu partido nunca havia vencido uma eleição presidencial. Após viajar pelo mundo em busca de apoio, Guaidó acabou exilado em Miami.

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, participa de um comício em Caracas Foto: Cristian Hernandez/AP

Machado, por sua vez, tem argumentos muito mais sólidos do que Guaidó jamais teve: ela foi a força motriz por trás da vitória da oposição nas eleições presidenciais de 2024.

Depois de vencer as primárias da oposição e ser impedida por Maduro de concorrer, Machado escolheu um diplomata de pouca projeção — Edmundo González Urrutia — para disputar em seu lugar, e ele venceu com uma maioria esmagadora. Maduro, no entanto, fraudou a eleição e desencadeou uma repressão brutal.

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A fraude eleitoral de Maduro foi tão flagrante e suas violações de direitos tão graves que os Estados Unidos, os 27 membros da União Europeia e vários outros países não reconheceram sua suposta vitória. Por praticamente todos os critérios, a chapa González Urrutia-Machado tem muito mais legitimidade do que Maduro tem hoje, ou do que Guaidó tinha à sua época.

A líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, participa de uma coletiva de imprensa em Oslo, na Noruega Foto: Stian Lysberg Solum/AP

O segundo mito, predominante em setores da base isolacionista do movimento MAGA, é que o presidente dos EUA está se deixando levar para uma aventura militar no exterior por influência de exilados venezuelanos.

Os céticos do MAGA alegam que, assim como o ex-presidente George W. Bush foi enganado por líderes exilados iraquianos em 2003 — levando-o a acreditar que os Estados Unidos seriam capazes de manter a ordem no Iraque pós-invasão —, Trump estaria sendo iludido por Machado, acreditando que a Venezuela não mergulharia no caos (o que geraria mais migração em massa) após uma intervenção dos EUA.

Mas a analogia com o Iraque é imprecisa. O Iraque não teve uma eleição presidencial vencida pela oposição, como ocorreu na Venezuela em 2024. É improvável que muitos venezuelanos arrisquem suas vidas para apoiar Maduro ou lutar contra um governo de transição.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participa de uma reunião de gabinete na Casa Branca, em Washington Foto: Alex Brandon/AP

O terceiro mito, levantado por Celso Amorim, principal assessor de política externa do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista ao The Guardian, é que uma invasão dos EUA à Venezuela levaria a uma guerra semelhante à do Vietnã, na qual muitos países viriam em socorro de Maduro.

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Embora muitos de nós esperemos que Maduro seja forçado a sair pelo seu próprio exército, sem necessidade de uma invasão, poucos países moveriam uma palha para apoiar o ditador venezuelano. Nem mesmo a Rússia, principal aliada militar da Venezuela, está fazendo muito para ajudar Maduro atualmente.

Ao contrário de 2018, quando a Rússia enviou dois bombardeiros Tu-160 capazes de transportar armas nucleares para a Venezuela em um momento de tensão com os EUA, Moscou não fez nada semelhante desta vez. É claro que, no caso de um ataque americano contra o regime de Maduro, haveria alguns discursos inflamados na ONU, mas dificilmente algum país ofereceria apoio ativo a um regime tão impopular.

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, participa de um comício em Caracas Foto: Juan Barreto/AFP

Nada disso significa que Trump esteja jogando bem suas cartas. Ele ameaça com uma invasão militar pelos motivos errados e age sozinho, em vez de formar uma aliança com outras democracias globais.

Em vez de ameaçar depor Maduro por ser um ditador brutal que forçou mais de 8 milhões de pessoas ao exílio, Trump diz que quer derrubá-lo devido às supostas remessas de fentanil da Venezuela para os Estados Unidos. Esse é um argumento falso: 70% do contrabando de fentanil para os EUA vem do México, segundo especialistas.

Em vez de se aliar a países europeus, ou à Argentina, Bolívia, Equador e outras nações latino-americanas, Trump age como um governante imperial por excelência, o que pode dar aos regimes de esquerda munição para propaganda por gerações.

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Da mesma forma, isso não significa que Machado — apesar de toda a sua coragem e legitimidade — não tenha cometido erros. Dedicar seu Prêmio Nobel a Trump, ignorando o fato de que ele tentou reverter as eleições de 2020 após perdê-las e que está deportando centenas de milhares de seus compatriotas venezuelanos, custou-lhe um apoio valioso no exterior.

Mas, como disse o presidente do Comitê Nobel, Jørgen Watne Frydnes, em seu discurso na cerimônia de premiação em 10 de dezembro, em Oslo: “Machado é um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil na história recente da América Latina”. Sobre aqueles que criticam o apoio de Machado às ações militares dos EUA, Frydnes afirmou que “pessoas que vivem sob uma ditadura muitas vezes têm que escolher entre o difícil e o impossível”. Esperar que os líderes democráticos da Venezuela busquem seus objetivos com uma pureza moral que a ditadura de Maduro nunca demonstrou é “irrealista” e “injusto”, acrescentou.

Machado e a oposição venezuelana merecem apoio mundial por sua luta legítima para restaurar a democracia. Derrubar Maduro não deve ser uma cruzada unilateral de Trump, mas parte de um esforço internacional coletivo para respeitar os resultados das eleições de 2024 e impedir a maior migração em massa desta década.

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Opinião por Andrés Oppenheimer

Andrés Oppenheimer foi considerado pela revista Foreign Policy 'um dos 50 intelectuais latino-americanos mais influentes' do mundo. É colunista do The Miami Herald, apresentador do programa 'Oppenheimer Apresenta' na CNN em Espanhol, e autor de oito best-sellers. Sua coluna 'Informe Oppenheimer' é publicada regularmente em mais de 50 jornais