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Mercado Livre lança projeto que muda fachada de lojas para turbinar vendas físicas e on-line

Projeto ‘Sua Porta Sempre Aberta’ começou em São Paulo e busca maior integração com o varejo on-line, usando cartazes e alterando visual das lojas de rua

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Foto do author Flamínio Fantini
Por Flamínio Fantini

Empreendedores que vendem pelo Mercado Livre poderão agora exibir a marca e a identidade visual amarela e azul da plataforma em suas fachadas e interiores para ampliar a integração entre as vendas nas lojas físicas e on-line.

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A primeira unidade já está em funcionamento desde fevereiro na loja Trilha Multicoisas, de Henrique Agostinho, que comercializa artigos de papelaria, material escolar, suprimentos de informática, eletrônicos e acessórios de celular, localizada no bairro Butantã, na zona oeste da capital paulista.

Para os lojistas, o benefício começa por associar seu estabelecimento ao nome do líder no Brasil em vendas entre os marketplaces, uma espécie de shopping center na internet. Na lateral da fachada, há uma placa luminosa que reconhece o local como “Loja Mercado Livre”, bem visível para quem anda pela calçada ou passa de carro.

Henrique Agostinho, dono da Trilha Multicoisas: loja física impulsiona o marketplace. Foto: Divulgação/Mercado Livre

Além disso, no interior, displays informam que se trata de um vendedor Platinum e recomendam: “Pode confiar: Uma das melhores lojas do site!”, ideia também transmitida em adesivos.

Com a pintura amarela, a porta frontal de enrolar da Trilha Multicoisas já se destaca na vizinhança e traz a mensagem em letras gigantes: “Estamos abertos no Mercado Livre!”. Logo abaixo, há um QR Code, que remete o consumidor para a página da loja no marketplace, por meio do celular.

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Denominado “Sua Porta Sempre Aberta”, o projeto se destina aos lojistas certificados pelo selo Platinum, a classificação top dada na plataforma de forma automática, conforme bom desempenho em vendas, cumprimento de prazos de entrega, nível de reclamações e qualidade dos serviços.

A certificação aparece para os consumidores digitais e costuma ser fator de tomada de decisão na compra, pelo atestado de confiabilidade. São Paulo, Rio de Janeiro e algumas capitais do Nordeste são as praças prioritárias para implantação do “Sua Porta Sempre Aberta”, que se dará segundo dois modelos.

O primeiro é com o kit completo, que inclui toda a transformação externa da loja e as peças publicitárias internas. Esse pacote poderá chegar a 100 estabelecimentos até o final de 2024. O segundo contempla somente a parte interna, com expectativa de adesão de mil lojistas no mesmo período.

Uma aposta é a implantação no setor varejista do Brás, tradicional bairro da região central da cidade de São Paulo e considerado o maior polo de moda popular no país. Nos planos, está a adequação para a Argentina e o México, países de atuação do Mercado Livre.

A iniciativa consagra uma tendência da nossa era: o “phygital”, neologismo corporativo para expressar a união entre os universos físico e digital.

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Cesar Hiraoka, diretor de Marketing do Mercado Livre: fortalecimento da marca. Foto: Divulgação/Mercado Livre

“Partimos da necessidade do consumidor, que hoje compra em todos os canais conforme a categoria do produto, a necessidade ou o momento”, explica Cesar Hiraoka, diretor de Marketing do Mercado Livre, em entrevista ao Blog do E-commerce, do Estadão.

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Dessa maneira, pelo método tradicional, o consumidor entra na loja, compra e leva a mercadoria. Se quiser ter a comodidade de fazer a operação sem sair de casa, ele entra na internet e recebe em casa.

Agora, haverá mais possibilidades, em benefício do e-commerce. Se a pessoa passar na frente do estabelecimento fora dos horários comerciais, basta clicar no QR Code escancarado na porta para fazer a operação. Já aqueles que entram no local e não encontram o produto desejado em estoque podem imediatamente ir para a página on-line e fazer a transação por lá.

Na loja física, o estoque de mercadorias disponíveis é muito menor do que o oferecido no marketplace. Em variedade e quantidade superiores, os itens ficam armazenados nos grandes centros de distribuição, na operação conhecida como “Full”, que viabiliza a entrega mais rápida até no mesmo dia, se a compra for feita em até 11h da manhã em alguns grandes centros urbanos.

A iniciativa está no campo do Business to Business (B2B), referente a transações entre empresas. “O projeto alavanca um diferencial competitivo que temos: a nossa comunidade de vendedores, que é uma fortaleza, construída ao longo de 25 anos”, explica Hiraoka.

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Isso estreita o relacionamento com os “sellers”, os empreendedores no jargão do comércio eletrônico. Busca-se consolidar a posição de liderança nacional em cenário altamente competitivo entre os marketplaces, reforçando-se a preferência tanto dos comerciantes quanto dos consumidores.

O projeto ajuda a fortalecer a marca do Mercado Livre, segundo Hiraoka, ao dar grande visibilidade aos melhores varejistas e favorecer o engajamento deles com a plataforma. “Somos parceiros nessa questão. O lojista constrói confiança. A somatória disso tudo é mais confiança no nosso markeplace”, define Hiraoka.

A inspiração do “Sua Porta Sempre Aberta” veio de duas fontes. Uma foi o impacto da pandemia da covid-19 na Argentina. Na época, algumas portas de lojas fechadas pelos rigores do lockdown passaram a exibir QR Codes.

A outra é a experiência do setor de turismo, no qual se conferem estrelas aos estabelecimentos pela qualidade dos serviços prestados. No caso do e-commerce, os melhores “sellers”, aqueles Platinum, ganham distinção semelhante aos melhores restaurantes e hotéis pelo mundo afora.

7 dicas de Henrique Agostinho, da Trilha Multicoisas, para sucesso no e-commerce

O lojista pioneiro no projeto “Sua Porta Sempre Aberta” é Henrique Agostinho, 43 anos, cuja dedicação ao comércio vem de família. A mãe havia aberto o Bazar e Papelaria Santo Antônio de Pádua, que ainda existe no Butantã. Lá, na adolescência, ele dava uma mão nas compras, carregava sacolas e ajudava no atendimento.

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Já adulto, começou a tomar conta da administração e da parte financeira. Com o avanço da informatização, viu que o bazar podia melhorar com automação comercial. Diante das dificuldades de encontrar um fornecedor adequado, decidiu estudar programação, o que lhe abriu caminho para se especializar em Tecnologia da Informação (TI) e prestar serviços para terceiros.

“Acabei fazendo uma carreira solo, saindo ali do bazar e cuidando dessa parte de automação comercial para diversos clientes”, ele se recorda. “Foi quando senti a necessidade de abrir uma loja física minha, fui crescendo e expandindo.”

A loja oferecia produtos para escritórios, como papel para impressão, teclados, mouses, placas-mãe, monitores, computadores e roteadores.

“Fiquei bem conhecido aqui na nossa região, uma loja de referência, Agostinho conta. “Achei, então, que eu poderia ir mais longe. Eu queria alcançar o Brasil. Para isso, eu teria que me associar a alguma grande empresa.”

O salto se deu com a parceria com o Mercado Livre, a partir de 2015. “Comecei a subir alguns degraus. Contratei pessoas para me ajudar e passei a focar nesse nicho de e-commerce”, diz ele. A Trilha Multicoisas ganhou também site próprio para vendas on-line. Hoje a empresa conta com cerca de cem funcionários e fatura R$ 30 milhões por ano.

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Uma pergunta que Agostinho sempre recebia era como a loja, muito conhecida no Butantã, poderia ser encontrada na plataforma do Mercado Livre. “O cliente não conseguia me achar lá dentro. Se ele digitasse um produto que eu vendo, apareceriam 20 vendedores, e não a minha loja”, diz ele.

Esse é um dos grandes benefícios do projeto. Em geral, quando o consumidor faz busca no Mercado Livre e outros marketplaces, o passo inicial consiste em procurar pelo produto. É possível chegar até a loja, mas dá algum trabalho. Não se trata de uma pesquisa simples como no Google.

A seguir, sete orientações para quem quer abrir ou está começando no e-commerce, elaboradas com base na entrevista de Henrique Agostinho.

1. Dedique-se ao funcionamento do marketplace – Mantenha o foco na plataforma e ao que ela pede. Se você não tem tempo de ficar o dia inteiro cuidando da plataforma, contrate alguém para fazer. Se você não cuidar, não vai crescer. As mudanças são uma dificuldade, mas temos sempre que seguir as ideias da plataforma. A gente tem que se reinventar sempre.

2. Procure entender o que o mercado quer – Sempre fui uma pessoa bem dinâmica para conseguir entender o mercado. É um grande desafio saber o que as pessoas querem e ter o produto certo para oferecer.

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3. Planeje bem a sua expansão – Estamos com planejamento para crescer e chegar a dez lojas físicas na cidade de São Paulo. Vamos, inicialmente, para a região de Pinheiros, próxima aqui do Butantã. Na parte de e-commerce, estamos nos preparando para abrir dois centros de distribuição, em Santa Catarina e no Espírito Santo. Isso vai permitir chegar mais rápido, estar mais próximo do cliente e aumentar as vendas.

4. Diversifique seus fornecedores – Tenho três vertentes para adquirir as mercadorias. A primeira é de grandes fabricantes e marcas nacionais. Em seguida, vêm os grandes importadores, que trazem da China. E, há um ano, começamos a importar diretamente. A quinta importação acabou de chegar. Ainda não trouxemos contêiner cheio, mas fracionados.

5. Trate bem sua equipe – Lidar com pessoas é um grande desafio e um aprendizado. Você tem que saber como deixar seu time sempre aquecido, sempre sonhando o mesmo sonho que você.

6. Seja persistente – Nunca pensei em desistir, sempre em aumentar e crescer. É uma missão que Deus me deu aqui na Terra, de ajudar outras pessoas. Tendo a minha empresa, contratando, ajudando, orientando, eu estou fazendo uma parte do que eu acredito seja minha missão. Manter as pessoas bem é o que procuro na minha empresa.

7. Evite fazer dívidas – Em 2009, eu havia adquirido empréstimos. Para pagar as contas, ou fazia um novo empréstimo ou deixava de pagar algumas pessoas. Tomei a decisão de deixar de pagar, momentaneamente, para conseguir me equilibrar. Mas, em dois meses já comecei a colocar a casa em ordem. De lá para cá, nunca mais precisei ter um aporte de terceiros. [Pela minha cabeça], falência nunca passou, porque sempre consegui surfar na onda do momento.

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