Casal começou com quiosque de biscoito, quebrou, mas hoje tem 50 franquias e fatura R$ 39 milhões

Casal começou em 2012, em um quiosque de shopping, mas falta de experiência fez negócio fechar em 6 meses; hoje comandam rede da American Cookies

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Por Felipe Siqueira

Há 11 anos, a então funcionária pública Francielle de Faria Silva e seu namorado - hoje marido - Rafael Nogueira Macedo, ex-vendedor de autopeças, decidiram abrir um negócio em um shopping em Brasília: alugaram um quiosque para vender cookies feitos na hora.

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Não tinham experiência, se endividaram e quebraram em seis meses, mas insistiram e hoje possuem mais de 60 lojas desses biscoitos, sendo 50 delas franquias. No ano passado, faturaram R$ 39 milhões, e, em 2023, já foram R$ 45 milhões.

O alto gasto inicial com a estrutura acabou pesando no balanço do começo do negócio. “Tudo durou só seis meses. O que a gente tinha de receita mal dava para pagar o aluguel do shopping, que era muito alto. Aí deu tudo errado”, comenta Fran, como Francielle é conhecida.

Além disso, houve uma aporte alto por parte dos empresários: um empréstimo consignado de R$ 50 mil em 2012. Em valores atualizados, dá quase R$ 100 mil.

O casal dono da American Cookies  Foto: Samir Felix e Giovanna Uchôa/Divulgação/American Cookies

“A gente ficou um pouco traumatizado. A gente perdeu tudo. Ficamos com a dívida de um negócio que não deu certo”, relembra.

“Falamos: ‘não vamos mexer mais com cookie’, Mas não era bem isso que o destino queria.”

Francielle de Faria Silva

Por mais que a experiência inicial não tenha sido tão agradável, a vontade de ter uma atividade extra, até para ter outro tipo de renda, se mantinha. E alguns clientes da época de quiosque continuaram interessados em adquirir o produto. Nesta época, a marca ainda era Fran Cookies.

O nome atual surge apenas em 2015, após uma consultoria realizada com o Sebrae, em um momento que o casal estava a pleno vapor vendendo os cookies diretamente do próprio apartamento - o que foi feito por cerca de seis anos.

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A ideia foi pegando tração, com custo baixo e produção caseira, na cozinha residencial. Neste período, eles faziam muitas entregas com aplicativos como iFood e o extinto - no Brasil - Uber Eats. Só que, em determinado momento, estar em casa começou a se tornar um problema. Isso porque a demanda estava muito alta e o movimento na área comum do prédio, por conta dos clientes, começava a incomodar vizinhos e, consequentemente, gerava problemas com a administração do local. Por conta do receio de acontecer o que houve em 2012, havia uma certa relutância em relação à abertura de um local físico.

Tanto que isso aconteceu apenas quando não tinha mais possibilidade de continuar de casa, por conta, justamente, da demanda. A cozinha de casa não era suficiente. Eles alugavam um espaço em Brasília que servia como “depósito comunitário” para pequenos empreendedores. A marca tinha um pequeno espaço para deixar uma quantidade bem limitada de produtos para que transeuntes pudessem comprar. “Tudo acabava muito rápido. A gente acabava de abastecer, chegava em casa e já tinha vendido tudo”, fala.

Foi só em 2018 que abriram, novamente, uma unidade física. Mas em um momento completamente diferente: com o negócio mais estruturado, com demanda e marca conhecida, o que fazia com que houvesse número de vendas mais consolidado. Além disso, o planejamento foi completamente diferente.

Eles até pegaram empréstimo novamente, com ajuda de custo até de familiares. Mas, desta vez, em dois meses de operação a loja já havia se pagado. Com isso, a partir de 2019, ambos se dedicavam integralmente ao negócio.

Fachada de unidade da American Cookies Foto: Foto: Samir Felix e Giovanna Uchôa/Divulgação/American Cookies

CONTiNUA APÓS PUBLICIDADE

Com o negócio ficando cada vez mais replicável, foi necessária uma consultoria para formatação de franquia. Isso porque o interesse de empresários pela marca estava crescendo. Até então, eles contavam apenas com unidades próprias.

No ano seguinte, em 2020, veio a fábrica. O que acabou sendo um salto importante na capacidade de produção. Os produtos já não eram caseiros e era possível uma dinâmica mais rápida. Com as receitas, claro, sendo respeitadas e produtos novos sendo desenvolvidos pelo casal. Além disso, veio também a pandemia de covid-19. Mas os negócios não foram afetados negativamente graças ao delivery, que foi muito potencializado no período.

Ainda no mesmo ano, foi comercializada a primeira franquia da marca. Inclusive, foram os próprios consultores que formataram o modelo que adquiriram. Conforme explica Fran, eles tiveram tamanho interesse que se tornaram os primeiros franqueados.

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A partir disso, o modelo de franquia foi tomando mais tração, chegando nos números atuais: 50 franquias e 13 unidades próprias, em mais de 10 Estados do Brasil. lojas

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