Seu propósito de vida é ficar rico? Dinheiro é o meio, não o fim, diz mentor de negócios Joel Jota

Palestrante, empresário e jurado do Shark Tank, com quase 5 milhões de seguidores no Instagram, ele fala sobre como encontrar propósitos pessoais e profissionais para ter sucesso

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Por Felipe Siqueira
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Entrevista comJoel Jotaempresário, palestrante de empreendedorismo e professor de educação física

Ganhar dinheiro pode ser um propósito de vida? Segundo o empresário, palestrante, professor e jurado do reality Shark Tank Joel Jota, o dinheiro é o meio, mas não o fim. Ou seja, ele é o que vai permitir que alguém alcance seus objetivos, como sobreviver, pagar contas, conquistar sonhos, entre outros fatores. Mas não necessariamente vai se sustentar por si só como uma “linha de chegada”.

Jota foi citado por um casal, entrevistado pelo Blog do E-Commerce, do Estadão, que contou que a vida empreendedora deles começou após uma palestra do empresário. Em determinado trecho, ele abordava, justamente, a questão do propósito de vida.

“Sem florear, nossa conclusão foi que nosso propósito de vida era ser rico. Queremos ganhar dinheiro, pois assim a gente pode realizar outros sonhos, dar melhor qualidade de vida, de estudo para os nossos filhos, viajar o mundo, ter uma velhice saudável.”, comentaram Fernanda Micchi e Filipe Cardoso, da Barganha Mix, ao blog.

A própria frase do casal já vai ao encontro do que o empresário explicou em relação ao dinheiro: eles pretendem alcançar ganhos maiores para ter qualidade de vida. O propósito, de fato, é ficar rico, mas não apenas pela quantia em si.

Joel Jota tem 4,7 milhões de seguidores no Instagram e mais de 1,2 milhão de inscritos no YouTube, onde há conteúdo gratuito sobre temas como gestão, vendas e negócios no geral. Sua página do LinkedIn conta com mais de 390 mil seguidores (leia mais sobre sua trajetória).

O empresário Joel Jota Foto: Divulgação

O empresário afirma que sua atuação como palestrante não se resume a estimular o empreendedorismo. O foco, segundo ele, é fomentar que a pessoa encontre os próprios talentos, para identificar algo de que goste e para o qual tenha aptidão, de modo que gere algum tipo de impacto nas pessoas. E que seja, claro, viável ganhar dinheiro com isso. “O problema está no outro. Encontre o problema ou a dor do outro, solucione, que isso vai te gerar uma receita”, completa.

O Estadão conversou com Joel Jota sobre empreendedorismo. A seguir, os principais trechos da entrevista.

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Existe alguma coisa prática que a pessoa precisa fazer efetivamente para começar essa caminhada de encontrar o seu propósito? É ser sincera consigo mesma?

Propósito, de uma maneira mais prática, é o que você quer. E ele é definido por você. Segundo, ele pode e vai mudar ao longo do tempo. Quando eu era atleta, eu tinha um propósito. Quando eu era solteiro, tinha um propósito. Como pai, tenho outro.

A pessoa deve se perguntar: ‘o que eu quero?’ As pessoas se confundem. Elas acham que vai ser uma coisa que não está nas mãos dela. Que vai vir de forma meio cósmica. Só que é muito mais simples. Você determina o seu propósito. Não é uma pergunta muito simples, mas propósito é uma coisa que a gente cria. Eu não descobri o meu, eu criei.

A criação do propósito tem algo a ver com aptidão?

Sim! Eu tenho alguns tópicos que eu penso na hora do propósito. Em resumo, é basicamente: o que eu vou fazer que vai manifestar meu talento, impactar pessoas, me fazer feliz e ainda render dinheiro para mim?

Existe alguma característica em comum entre as pessoas que conseguem se encontrar?

Ela sente profunda satisfação em fazer. Não percebe o tempo passar. As pessoas reconhecem que ela é boa naquilo. E aprende rápido. Tem curiosidade e, além de tudo, consegue gerar dinheiro com isso.

O propósito de vida tem a ver com fazer algo que impacta as pessoas, em que eu ganhe uma grana, que as pessoas saibam que eu sou bom e que tem tudo a ver com aquilo de que eu goste de fazer.

E quais são os erros costumeiramente cometidos por essas pessoas que acabam se atrapalhando nesse processo?

O primeiro erro é achar que isso é uma coisa já criada, previamente desenhada, pronta no destino. O segundo é copiar o que outras pessoas estão fazendo. O terceiro é achar que isso não muda. As coisas mudam, e não tem problema as coisas mudarem.

Dentro de toda essa questão de propósito, o seu trabalho se propõe a ajudar pessoas a descobrirem qual é o delas. Além disso, qual é o cerne da sua atividade?

Eu sempre falo que empreendedorismo não é abrir uma empresa, é uma filosofia de vida. Eu estimulo a pessoa a ter uma atitude de solução de problemas. Não necessariamente de abrir um negócio.

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Então, eu atuo no desenvolvimento de carreira. Ajudo a pessoa a entender o dinheiro que tem, a olhar para o jeito que se comunica, que lida com o tempo, se tem inteligência emocional, se tem capacidade de ser produtivo, de influenciar pessoas etc.

E quais são as formas para entregar esse tipo de serviço?

Existe o conteúdo gratuito, por meio do YouTube. Tenho meus livros, de performance e de desenvolvimento pessoal. Depois, tenho os cursos. Sobre como ler mais e melhor e para tirar projetos do papel, por exemplo.

E eu tenho minhas palestras, que acontecem online e offline. Além disso, tenho também meus programas de treinamento online, nos quais acompanho alunos por três meses, com aula gravada e ao vivo. E tem os cursos de mentoria, para ser um líder melhor, ter voz na internet, entre outras coisas.

Profissionalmente, você se coloca como coach?

Não! Me apresento como empresário.

Por quê? É alguma questão de mercado?

Mercado! O coach no Brasil, infelizmente, traz uma coisa negativa, por conta de muitos profissionais não terem tido resultado. Nos Estados Unidos, por exemplo, é uma coisa bem séria.

Mas, aqui, a galera não gosta do termo. (Por isso) eu prefiro treinador, professor, palestrante e empresário. Em muitos momentos eu uso ferramenta de neurociência, de coaching, de administração, de marketing, de vendas, de influência - é um combinado de coisas, mas eu não uso esse termo por conta da questão da indústria, que não tem muita credibilidade.

Como é que você começou essa carreira de empresário?

Eu fui atleta de natação durante quase 20 anos. Passei a vida inteira empreendendo o meu corpo nas piscinas. Em Santos, bati recordes, fui para a seleção brasileira, campeão regional e nacional. Depois, eu fiz educação física na faculdade e virei treinador assistente. Fiz pós-graduação em fisiologia e mestrado em ciências do esporte.

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Então, eu fui para um lado acadêmico muito forte. E sempre gostei muito de ler, até que vi que era hora de escrever um livro. E veio uma segunda fonte de renda. Comecei a fazer palestras para vender meu livro. Até que eu descobri que a palestra também poderia ser uma fonte de renda.

Em 2009, abri minha primeira empresa, só para atletas de natação. E comecei a aprender negócios, marketing, vendas, gestão financeira, contabilidade, rodei o Brasil dando aulas de pós-graduação e, em 2014, fui convidado a ser o coordenador geral do Instituto Neymar Jr..

Até um dia que eu peço demissão e vou abrir um outro negócio, de empreendedorismo. Por meio da educação, vou ensinar jovens a abrir e gerenciar seus próprios negócios.

E como surgiu a oportunidade de ser do Instituto Neymar Jr.?

Eu era professor da Universidade Santa Cecília e pais de atletas do Santos, na época, foram incentivados a ingressarem na faculdade. O Neymar pai foi fazer, e ele foi meu aluno. Criamos uma amizade, e, quando surgiu o instituto, ele me chamou.

E a pergunta impossível de não ser feita: você é santista?

Não! Sou corintiano (risos). Mas eu adoro o Santos.

Mas, voltando à questão dos negócios, existe algo em comum que acaba sempre sendo uma dica inicial para quem vai começar ou está querendo se reestruturar nos negócios?

Eu sempre falo que todo empreendedor tem que dominar três coisas: aumentar a receita, saber gerenciar a empresa e saber aumentar a qualidade do seu produto.

Então, se quer começar, esses são os pilares fundamentais. E aí entra a mentalidade do empreendedor. Não tem certo nem errado. Só tem o adequado: abriu um negócio? Precisa ter um modelo mental de dono de negócio.

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E também ter resiliência, ser prático, responsável e ter iniciativa. Claro que, no Brasil, não basta querer, tem que buscar ferramentas.

Nosso País é empreendedor, mas as empresas fecham muito. Por quê? Faltam planejamento, capacitação, compreensão do mundo dos negócios, entre outras coisas.

Neste caso, a falta de acesso à informação é o grande problema do empreendedorismo do Brasil? Ou, na sua opinião, ela é uma consequência de um problema ainda maior?

A falta de informação é a raiz, sim! É só pegar uma dificuldade tributária, por exemplo. Se não souber qual é o imposto em cada lugar, vai errar.

Se não souber fazer um planejamento financeiro, de fluxo de caixa, pode quebrar. Essa escassez de informação faz a pessoa tomar decisões baseadas na intuição, o que a faz errar. E isso atrapalha muito a concretização do negócio.

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