Alice Munro, Nobel de Literatura, morre aos 92 anos; conheça história da escritora canadense

Autora de ‘Fugitiva’ e ‘Vida Querida’, entre outros livros, ela ganhou o Nobel em 2013

Por Marcos Candido
Atualização:

A escritora canadense Alice Munro, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 2013, morreu aos 92 anos. A informação foi confirmada pela editora de Munro nesta terça-feira, 14.

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Munro, que também conquistou em 2009 o Man Booker International Prize pelo conjunto da obra, sofreu de demência em seus últimos anos de vida. Segundo o jornal Globe and Mail, a escritora morreu na noite de segunda-feira, 13, em Ontário.

Nascida na cidade de Wingham, na província de Ontário, no Canadá, Munro ambientou suas histórias tensas e de observação aguda na zona rural da Ontário onde cresceu, concentrando-se nas fragilidades da condição humana.

O foco estava nas histórias de pessoas simples em pequenas cidades, fazendas, subúrbios, que carregam consigo descontentamentos e tragédias muitas vezes mantidas em segredo. Em boa parte, os contos são protagonizados por mulheres.

Alice Munro morreu aos 92 anos Foto: Chad Hipolito/AP

No Brasil, a obra de Munro foi traduzida em livros como As Luas de Júpiter, A Vista de Castle Rock e Falsos Segredos.

Apesar de seu grande sucesso e de uma impressionante lista de prêmio literários, durante muito tempo viveu da mesma forma simples e modesta de seus personagens de ficção.

“Ela não é uma pessoa da alta sociedade. De fato, raramente é vista em público e não faz turnês de promoção de livros”, comentou o crítico literário americano David Homel, depois que Munro alcançou fama mundial.

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Sua discrição contrastava com a de outra gigante canadense da literatura contemporânea, Margaret Atwood.

Na entrega do Nobel, Munro foi celebrada como uma “mestre do conto contemporâneo” com a habilidade para “acomodar a complexidade épica de um romance em apenas algumas páginas”. A escritora, porém, não recebeu o prêmio no local. À época, aos 82 anos, dizia estar muito fraca para viajar até a Suécia.

Em vez do tradicional discurso, Munro gravou uma longa entrevista sobre sua obra na qual afirma que a literatura consumiu toda sua vida. “Mas sabe como é, no fim das contas sempre colocou comida na mesa para meus filhos”, disse. Criado em 1901, Munro foi apenas a 13ª mulher a ganhar o Nobel de Literatura.

“As pessoas dizem que escrevo histórias pessimistas ou depressivas, mas sei que nunca fui uma pessoa pessimista em toda minha vida. Deveriam me considerar como uma mãe animada, que oferece conselhos banais”, disse ao The New York Times.

O professor de literatura inglesa Sherry Linkon da Universidade de Georgetown afirma que Munro revitalizou o gênero do conto com personagens femininas tão “complexas e contestáveis quanto os homens - além de sombrias. Você sente que as pessoas podem ser tão cruéis uns com os outros como consigo mesmas”.

Geração de escritores

Nascida em 10 de julho de 1931 em Wingham, Ontário, Munro cresceu no campo. Seu pai, Robert Eric Laidlaw, criava raposas e aves, enquanto sua mãe era professora em uma cidade pequena.

Com apenas 11 anos, decidiu que queria ser escritora, e nunca hesitou em sua escolha profissional. “Penso que talvez fiz sucesso fazendo isto porque não tinha nenhum outro talento”, explicou certa vez em uma entrevista.

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O primeiro livro de Munro, Dimensões de uma Sombra, foi publicado em 1950, enquanto era estudante na Universidade de Western Ontario.

A primeira obra de sucesso de Munro foi lançada em 1968. Com Dance of the Happy Shade, foi premiada com o equivalente ao Pulitzer canadense e foi integrada a uma nova geração de escritores no Canadá, como Margaret Atwood (de O Conto da Aia).

Dez anos depois, passou a ter contos publicados pela renomada revista norte-americana The New Yorker. Em 2006, o filme Longe Dela adaptou um dos contos de Munro para o cinema. O longa narra a história de uma mulher com Alzheimer e a busca de seu marido para se reconectar às memórias da esposa.

Em 2009, a escritora também recebeu o prêmio Man Booker International. Na ocasião, o júri defendeu que a leitura de Munro é um aprendizado “de algo novo que nunca havia se pensado antes”.

Após receber o Nobel em 2013, Munro anunciou a aposentadoria. Anos antes, ela afirmou ter passado por uma cirurgia no coração e um tratamento contra um câncer. Nos últimos anos, recebeu um diagnóstico de demência.

À época de sua aposentadoria, dizia escrever desde os 20 anos e que já estava satisfeita. “São muitos anos de trabalho e acho que agora é hora de pegar mais leve”.

COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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(Em atualização).

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