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The Killers explosivos, fãs suados e homenagem de Marisa Monte a Rita Lee: o 1º dia do Primavera

Em sábado com máxima de 33ºC, produtora T4F se esforçou para não repetir erros de show de Taylor Swift no Rio. 50 mil fãs presentes também viram Pet Shop Boys, The Hives, CSS e mais; veja vídeos e leia críticas dos shows

Foto do author Bárbara Correa
Foto do author João Ker
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Foto do author Dora Guerra
Foto do author Sabrina Legramandi
Por Bárbara Correa, João Ker, Rodrigo Ortega, Dora Guerra, Sabrina Legramandi e André Carlos Zorzi
Atualização:

O primeiro dos dois dias do festival Primavera Sound 2023 em São Paulo, neste sábado, 2, foi marcado por um show teatral e explosivo do The Killers e uma homenagem emocionante de Marisa Monte a Rita Lee com participação do viúvo, Roberto de Carvalho. Segundo a organização, 50 mil pessoas viram os shows no Autódromo de Interlagos. O segundo dia é neste domingo, 3.

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Os palcos foram organizados usando um espaço menor do Autódromo do que o Lollapalooza e o The Town, que costumam ter o dobro de público diário. Foi um tamanho adequado: nem ficou vazio e nem desconfortável para o público.

O maior desconforto era inevitável: o calor com máxima de 33ºC em São Paulo. A produção do evento é da T4F, responsável pela turnê de Taylor Swift em que uma fã morreu em um dia quente no Rio. Naquela ocasião, a entrada com garrafas de água não era permitida e o copo custava R$ 8. A produtora disse ao Estadão que iria mudar os procedimentos no festival paulista após a morte da fã no Rio.

O esforço foi notável. Houve distribuição de água e protetor solar, avisos frequentes nos telões para que o público se hidratasse e recados nas grades para evitar queimaduras. Foi um bom tratamento - mesmo que o público geral não tenha o conforto dos VIPs, que pagaram R$ 2,1 mil e tinham ar-condicionado e open de sorvete.

The Killers

The Killers em show no Primavera Sound em São Paulo, em 2023 Foto: Taba Benedicto/Estadão

É inegável que o The Killers tenha uma fórmula. A influência marcante da música dos anos 1980 - e até, por vezes, do gospel -, processada à moda do indie rock dos anos 2000, a voz inconfundível do showman Brandon Flowers, uma música que parece explodir nos ouvidos: é sempre muito fácil identificar quando toca uma canção da banda. No palco do Primavera Sound, o sucesso do grupo é colocado à prova. Afinal, é um desafio fazer com que a tal fórmula também funcione ao vivo ao longo de 1h30. Faz pouco mais de um ano que a banda pisou em São Paulo: eles foram a principal atração da primeira edição do GP Week. No Primavera, o grupo precisou mostrar o quanto ainda merece o título de headliner. LEIA MAIS SOBRE O SHOW DO THE KILLERS NO PRIMAVERA SOUND


Pet Shop Boys

Pet Shop Boys Foto: Taba Benedicto/Estadão

É difícil traduzir para um festival a atmosfera, acústica e incentivo à dança de uma balada eletrônica. Mas os Pet Shop Boys conseguiram. A dupla britânica, já acostumada a fazer shows no Brasil, se dividiu bem: enquanto Tennant, do alto dos seus 69 anos, ditou o ritmo do show, indo de um lado ao outro do palco, trocando de figurino quatro vezes, interagindo com a plateia - e a convidando a responder -, se pendurando no poste cenográfico e esbanjando carisma e teatralidade durante todo o espetáculo, Lowe não abriu sequer um sorriso, não falou e nem se mexeu por trás do seu equipamento eletrônico.

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Leia mais sobre o show do Pet Shop Boys no Primavera Sound.

Marisa Monte

Marisa Monte abraça Roberto de Carvalho durante o festival Primavera Sound 2023 Foto: TABA BENEDICTO

O show da cantora trouxe um repertório especial e uma participação surpresa arrebatadora: Roberto de Carvalho, viúvo de Rita Lee, que tocou duas músicas da cantora ao lado de Marisa Monte. Além disso, ela interpretou diversos de seus clássicos - tudo com arranjos grandiosos e um caprichoso trio de metais.

Mas nem tudo são flores. Foi exatamente nesses clássicos que sua voz falhou: a geralmente afinadíssima cantora não chegou às notas pretendidas. Isso teria prejudicado o show se a plateia não estivesse totalmente encantada: o coro dos fãs impedia o público de perceber qualquer deslize. O show foi um atestado nacional. Chegando às notas ou não, Marisa Monte provou que o palco principal é o único lugar para alguém como ela. Leia mais sobre o show de Marisa Monte no Primavera Sound.

The Hives

Show do The Hives no festival Primavera Sound em dezembro de 2023 Foto: Taba Benedicto/Estadão

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Ponto de vista: você é um homem sueco de meia idade e está de terno preto e gravata, de frente para um Sol de mais de 30ºC, diante de milhares de pessoas que esperam que você fique gritando e pulando durante uma hora, ao lado de quatro colegas de trabalho na mesma situação. Difícil saber o que você enxerga atrás das gotas de suor, mas as pessoas que te enxergam parecem se divertir. Aos 45 anos, o vocalista sueco Howlin’ Pelle Almqvist cantou rosado e suado, com a mesma disposição de quem o conheceu no auge de sua banda, o The Hives, na primeira década dos anos 2000. No fim da tarde, ele deu a quantidade suficiente de chutes, pulos, chicotadas de microfone e uivos para fazer o show no Primavera Sound ser brilhante. Leia mais sobre o show do The Hives no Primavera Sound.

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MC Bin Laden

Esse sábado poderia ter sido uma noite de justiça para MC Bin Laden, criador de Bololo haha e Tá tranquilo, tá favorável, um dos artistas mais criativos dos últimos anos no Brasil - não por acaso requisitado por figurões gringos como Diplo e Damon Albarn. Mas foi o contrário: para começar, o show no Primavera aconteceu quase no mesmo horário dos headliners The Killers no palco principal. O público, previsivelmente, era escasso. Para piorar, de última hora foi incluída no show de Bin Laden, sem explicação, uma participação de MC Mari.

Conhecida por parcerias com Wesley Safadão, Felipe Amorim e Léo Santana, e sem nenhuma liga com Bin Laden, ela fez entradas que esfriaram o show do cantor. Mas, enquanto estava no palco, ele fez o que pôde, inclusive com o perfeito remix Shake It Bololo, com a base de Shake It off, de Taylor Swift. Também rolou Controllah, parceria (essa real e oficial) de Bin Laden com os Gorillaz. A grande noite do MC num festival de classe média alta brasileiro segue sendo o Lollapalooza 2016 em São Paulo, quando o duo Jack Ü (Skrillex e Diplo) o chamou para cantar Tá Tranquilo, Tá Favorável diante de uma multidão. Bin Laden merecia disso para cima. (Por: Rodrigo Ortega)

Cansei de Ser Ser Sexy

Cansei de Ser Sexy no festival Primavera Sound, em 2023 Foto: Taba Benedicto/Estadão

Com um macacão de arco-íris e pulando feito um unicórnio, a vocalista Lovefoxxx apareceu em frente a uma sucessão de memes no telão, das imagens de uma Shakira jovem aprendendo a usar o computador a um rato saxofonista e uma barata bailarina. Esse nonsense despreocupado é o que tornou o CSS tão singular entre seus contemporâneos dos anos 2000. A energia neste sábado foi tamanha que o figurino de entrada não durou quatro músicas e começou a se desfazer. “Vocês deram sorte porque a gente tá no nosso período de ovulação. Se fosse em outro momento, o show não seria tão bom assim”, disse a vocalista do CSS, meio séria, meio brincando.

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Na grade do palco, o público era formado em sua maioria por jovens com mais de 30 anos que acompanharam o início da banda. Lovefoxxx trocou de roupa no palco (“É um momento especial, mas não temos muito tempo então vai ser aqui mesmo”) e leu uma carta aberta com as mãos tremendo. “Quem aqui já viveu uma história na rodoviária Tietê? Quem chegou aqui em um ônibus Cometa só com um sonho na mala?”, disse, enquanto admitia que “saiu de um buraco há um ano” e “é muito bom recomeçar”. (Por: João Ker)

Kelela

O show de Kelela no Primavera Sound mostrou que a potência vocal é o principal motivo pelo qual ela é um nome incensado no novo R&B. A artista norte-americana, que lançou o álbum Raven no início desse ano, ganhou fãs brasileiros por sua relação próxima com o País. Ela já gravou um clipe no Rio de Janeiro, cantou na quadra da Escola de Samba São Clemente em 2019 e até tem uma parceria com Mc Bin Laden, Rewind.

Se ela tem muitos fãs brasileiros, não fez por onde. Kelela subiu no palco São Paulo às 19h15 e ficou devendo no quesito presença de palco. As luzes e as escassas interações com a plateia não conseguiram salvar o show morno e apático. A artista se arriscou ao subir sozinha, sem banda, DJs, ou qualquer outro recurso. A falta de carisma durante uma hora de apresentação criou uma atmosfera de tédio na plateia, com algumas pessoas que sequer se levantaram com as batidas eletrônicas da artista. (Por: Bárbara Corrêa)

Gabriel do Borel e Rebecca

“Vocês estão no melhor baile de suas vidas”. Foi com essa expectativa alta que Gabriel do Borel apareceu no TNT Club, espaço intimista patrocinado que criou uma espécie de casa noturna no meio do festival com os artistas no meio do público. A apresentação começou morna, até relativamente vazia, e seguiu assim por meia hora, mesmo com as constantes tentativas de interação.

Já na metade, surgiu Rebecca, uma das potências femininas do funk carioca, e o show tomou outro rumo. Juntos, os dois fizeram o chão tremer, literalmente. Rebecca cantou, performou e demonstrou carisma mesmo sozinha em cima de um pequeno palco. Um bom pontapé para a inclusão recente do funk em festivais grandes. (Por: Sabrina Legramandi)

O público começou a entrar no Primavera Sound ao meio dia deste sábado, 2 Foto: Bárbara Correa/ Estadão

Como assistir aos shows do Primavera Sound na TV

O evento está sendo transmitido no canal Multishow. Também será possível assistir pelo streaming Globoplay, caso você seja assinante.

Veja a programação do domingo, 3 de dezembro:

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Palco Barcelona

13h05 - Mateus Fazeno Rock

14h35 - Soccer Mommy

16h30 - Marina Sena

19h - Bad Religion

Palco São Paulo

13h - Nelson D & Edgar

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14h15 - Filipe Catto

15h45 - El Mató A Un Policía Motorizado

17h30 - Roisín Murphy

19h - Tokimonsta

20h40 - The Blessed Madonna

Palco Corona

12h30 - Sophia Chablau E Uma Enorme Perda de Tempo

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13h40 - Just Mustard

15h30 - Carly Rae Jepsen

17h40 - Beck

20h25 - The Cure

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