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WASHINGTON - O almirante Alvin Holsey, chefe do Comando Sul das Forças Armadas americanas, deixou o cargo nesta quinta-feira, 16, em meio ao aumento da tensão militar entre os Estados Unidos e a Venezuela. Holsey era responsável pela operação do Pentágono contra cartéis de droga no Caribe, que o presidente Donald Trump diz serem chefiados pelo ditador Nicolás Maduro.
Segundo fontes do Pentágono ouvidas pelo New York Times, Holsey tinha colocado ressalvas contra a operação, que até agora conduziu cinco bombardeios contra barcos no Caribe, matando 27 pessoas. Os EUA têm no momento 10 mil soldados e oito navios de guerra na região.
Além disso, na terça-feira, 14, helicópteros e caças B-52 voaram nos arredores do espaço aéreo venezuelano. Já na quarta-feira, 15, veio a público a decisão de Trump de autorizar operações da CIA na Venezuela.

“Em nome do Departamento de Guerra”, disse Hegseth, usando o nome do departamento que agora prefere, “estendemos nossa mais profunda gratidão ao Almirante Alvin Holsey por seus mais de 37 anos de distintos serviços à nossa nação, já que ele planeja se aposentar no final do ano”.
Fontes no Pentágono e no Capitólio disseram que os elogios mascaravam tensões políticas reais em relação à Venezuela, que o almirante e seu chefe civil tentavam encobrir.
Autoridades americanas deixaram claro, em particular, que o principal objetivo é tirar Nicolás Maduro, o ditador da Venezuela, do poder.
Mas diversos especialistas em leis que regem o uso da força contestaram a alegação do governo Trump de que pode legalmente matar pessoas suspeitas de tráfico de drogas como se fossem tropas inimigas, em vez de prendê-las para processo judicial. O Congresso não autorizou nenhum conflito armado.
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Por uma questão de direito internacional, para que um grupo não estatal se qualifique como beligerante em um conflito armado — o que significa que seus membros podem ser alvos de assassinato com base apenas em seu status, e não em algo que façam especificamente — ele deve ser um “grupo armado organizado” com uma estrutura de comando centralizada e envolvido em hostilidades.
O Almirante Holsey, que é negro, torna-se o mais recente de uma série de mais de uma dúzia de líderes militares, muitos deles pessoas de cor e mulheres, que deixaram seus cargos este ano. A maioria foi demitida por Hegseth ou expulsa.
Além deles, foram demitidos o chefe do Estado-Maior Conjunto, General Charles Q. Brown Jr., que é negro; a primeira mulher a comandar a Marinha, a Almirante Lisa Franchetti; e a representante militar dos EUA no comitê militar da Otan , a Vice-Almirante Shoshana Chatfield. Ele também demitiu o Tenente-General Jeffrey A. Kruse, chefe da Agência de Inteligência de Defesa.
Em agosto, o principal oficial uniformizado da Força Aérea, General David Allvin, anunciou que se aposentaria mais cedo — dois anos depois de um mandato de quatro anos.
Na quarta-feira, pelo menos dois bombardeiros B-52 da Louisiana voaram por várias horas ao largo da costa venezuelana em espaço aéreo internacional, no que uma autoridade americana de alto escalão chamou na quinta-feira de “uma demonstração de força”. Os B-52 podem transportar dezenas de bombas guiadas de precisão.
Também nos últimos dias, uma unidade de aviação de elite de Operações Especiais do Exército tem realizado voos no sul do Mar do Caribe, perto da costa da Venezuela.
Os helicópteros, pertencentes ao 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais do Exército, têm voado em missões de treinamento, não em ensaios para uma possível ação militar dentro da Venezuela, segundo uma autoridade americana, falando sob condição de anonimato para discutir questões operacionais./ NYT
A resposta de Maduro às ameaças militares de Trump
Ditador venezuelano convocou milhões de integrantes de milícias armadas para defender país. Crédito: Bárbara Pereira





