Reféns da faixa de Gaza retornam a Israel e reencontram familiares
Libertação é parte do acordo de cessar-fogo entre o governo israelense e o grupo terrorista Hamas, mediado pelos Estados Unidos. Crédito: Zangauker Family Handout/IRF/AP
A guerra que começou em 7 de outubro de 2023 provou que, no Oriente Médio, os tratados de paz são confiáveis. Quando o Hamas lançou seu ataque, não violou nenhum tratado de paz, uma vez que o grupo nunca assinou qualquer pacto e sempre foi muito aberto sobre sua intenção de destruir Israel. Nos dois anos seguintes, todos os acordos que Israel assinou com seus vizinhos árabes permaneceram firmes.
O Hamas esperava que sua ação desencadeasse um ataque árabe total contra Israel, mas isso não se materializou. As únicas entidades que empreenderam respostas hostis diretas contra Israel foram o Hezbollah, os houthis, o Irã e várias milícias apoiadas pelo regime iraniano na Síria e no Iraque — nenhuma das quais jamais reconheceu o direito de Israel existir.
Em contraste, o Egito não quebrou o tratado de paz que assinou com Israel em 1979; a Jordânia não quebrou o acordo de paz assinado em 1994; e os estados do Golfo não quebraram os pactos firmados em 2020. De fato, esses países árabes aprofundaram seus laços militares com Israel durante a guerra e, de várias maneiras, ajudaram-no a se defender. Por exemplo, em abril de 2024 e novamente em junho de 2025, a força aérea da Jordânia interceptou drones e mísseis iranianos com destino a Israel com a ajuda de alertas antecipados dos estados do Golfo.

A Autoridade Palestina também permaneceu pacífica, apesar da pressão implacável do Hamas e das inúmeras provocações do governo israelense e dos colonos israelenses na Cisjordânia. Quanto aos cidadãos palestinos de Israel, eles mantiveram seu pacto com seu Estado. No dia do massacre de 7 de outubro e nas semanas seguintes, o Hamas esperava que os cidadãos palestinos de Israel se levantassem, e muitos judeus israelenses estavam aterrorizados que seus vizinhos árabes pudessem atacá-los.
Mas aconteceu exatamente o oposto. Muitos árabes israelenses foram ao auxílio de seus vizinhos judeus, e alguns pagaram por isso com suas vidas. Por exemplo, Abed Al-Karim Al-Nasasra e Awad Darawshe foram mortos por terroristas do Hamas enquanto tentavam resgatar pessoas do festival de música Nova.
Durante os dois anos seguintes, dezenas de milhares de palestinos israelenses serviram lealmente em hospitais, clínicas, agências governamentais, forças policiais e até mesmo em algumas unidades militares de Israel. A liderança da comunidade árabe-israelense condenou consistentemente o massacre de 7 de outubro e pediu paz.

O poderio militar de Israel tem sido um ingrediente crucial para a manutenção da paz com vizinhos como Egito e Jordânia. Mas os eventos dos últimos dois anos indicam que as capacidades militares, por si só, não garantem a estabilidade a longo prazo. Em 7 de outubro de 2023, Israel desfrutava de uma superioridade militar esmagadora sobre o Hamas, mas isso se mostrou insuficiente para impedir a eclosão da guerra ou para atingir plenamente os objetivos em dois anos de conflito devastador.
Aqueles que argumentam que a segurança de Israel só pode ser garantida pela eliminação das capacidades militares de qualquer inimigo em potencial devem considerar o caso do Egito. Por muitos anos, o país foi o inimigo mais perigoso de Israel. Em termos puramente militares, o Egito, que comanda mais de 1 milhão de militares e compartilha uma longa fronteira terrestre com Israel, ainda representa uma ameaça muito maior do que o Hamas ou o Irã. I
sso significa que Israel deve lançar um ataque preventivo ao Egito e destruir as enormes Forças Armadas egípcias antes que seja tarde demais? Nem mesmo os falcões mais extremistas do governo israelense apoiam uma linha de ação tão insana. Todos reconhecem que é muito melhor aderir ao tratado de paz entre Egito e Israel.
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O Oriente Médio tem a reputação de ser uma parte particularmente violenta do mundo, mas vale lembrar que também é o berço do tratado de paz. Uma tábua de argila datada de 2350 a.C. registra um tratado entre as cidades-estados sírias de Ebla e Abarsal. Mais bem documentado é o tratado concluído por volta de 1259 a.C. entre os impérios egípcio e hitita.
Após cerca de 70 anos de guerra sangrenta e inconclusiva, os dois lados concordaram em abster-se de qualquer agressão mútua, respeitar o território um do outro e até mesmo fornecer ajuda mútua em momentos de necessidade. Os signatários prometeram que seus descendentes “permanecerão em nosso estado de fraternidade, em nosso estado de paz, e a terra do Egito e a terra de Hatti serão pacíficas e fraternais como nós para sempre”.

O tratado se manteve firme por quase um século, até o eventual colapso do Império Hitita por razões não relacionadas ao Egito. De fato, o Egito fez o possível para ajudar os hititas em tempos de crise, por exemplo, enviando suprimentos de grãos para ajudá-los a lidar com uma prolongada escassez de alimentos. É verdade que egípcios e hititas estavam motivados a assinar e manter a paz porque ambos enfrentavam novos inimigos, como os assírios e os povos do mar. Mas descobrir interesses comuns é a base de todo tratado de paz bem-sucedido.
Ao refletirmos sobre os terríveis acontecimentos dos últimos dois anos, não devemos deixar que o sucesso silencioso dos tratados de paz no Oriente Médio seja abafado pelos ecos de explosões violentas. Os tratados de paz que Israel assinou com seus vizinhos árabes foram submetidos a um teste extremamente severo, e resistiram. Após anos de guerra terrível, isso deve encorajar as pessoas de todos os lados a darem outra chance à paz. De fato, o sucesso relativo dos tratados de paz no Oriente Médio serve de lição para conflitos em muitas outras partes do mundo. Como Frank Sinatra certa vez cantou sobre Nova York: Se a paz pode prevalecer no Oriente Médio, pode prevalecer em qualquer lugar.




