Quer ter uma loja on-line? Saiba escolher o melhor modelo e quais as vantagens e os cuidados

Redes sociais, como WhatsApp, podem ser usadas por comerciantes novatos antes de tentarem marketplaces, como Amazon e Mercado Livre

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Por Felipe Siqueira

Você quer abrir uma loja on-line para vender pela internet? Essa é uma forma muito relevante de alavancar um negócio, mas é preciso definir direito que modelo adotar em cada momento do empreendimento. Pesquisa do Sebrae entre julho e setembro do ano passado mostra que 70% dos entrevistados utilizavam meios digitais para realização de vendas.

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O levantamento ouviu cerca de 5,7 mil pessoas, entre microempreendedores individuais (MEIs), empresas de pequeno porte (EPPs) e microempresas (MEs), de três setores diferentes - comércio, serviços e construção. A pergunta feita na pesquisa foi “Quais são os canais digitais que sua empresa usa para vender?”

Entre os 70% que disseram usar meios digitais, mais da metade (55,6%) utilizava o Whatsapp para vendas. Na sequência, com 43,5%, aparecia o Instagram como rede social empregada e, em terceiro, Facebook (23,4%).

Esses números mostram uma tendência muito relevante para o mundo do empreendedorismo, porque, conforme explica o consultor de negócios do Sebrae-SP Guilherme Lui, existe um certo caminho a ser traçado por parte do empresário para que consiga atingir bons resultados com venda online.

Definir o que é loja on-line

A primeira coisa a distinguir é o que é uma loja online. Podem ser redes sociais (como WhatsApp, Instagram e Facebook), sites e marketplaces (como Amazon e Mercado Livre).

Essa última opção pode ser a primeira ideia que surja, mas não necessariamente a melhor inicialmente em todos os casos.

A tendência, quando falamos em vendas online, é pensar no marketplace logo "de cara"  Foto: Achira22 - stock.adobe.com

O ideal quando se começa a empreender, especialmente nos casos de empreendedorismo por necessidade, é ter os menores custos possíveis.

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Considerando uma espécie de escada, para escalonamento do negócio, as redes sociais podem ser o primeiro passo - justamente porque são gratuitas.

“É muito comum nós vermos empreendedores que começam a vender via Whatsapp, especialmente pela modalidade Business, que também é gratuita. E isso não é usado sozinho: tem o Instagram ou até mesmo o Facebook como ‘isca’ para atrair o cliente”, explica Lui.

Isso, segundo ele, é uma estrutura básica, gratuita e com uma eficiência relevante para que o empreendedor consiga começar a entender como funciona este universo de vendas online.

Os dados do Sebrae corroboram essa formação virtual inicial de pequenos negócios. E vai além: os próximos meios utilizados são justamente marketplaces (12,1%) - somando dados de Mercado Livre, IFood, OLX, Magalu e Amazon - e sites próprios (11,6%).

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“Um dos maiores erros do empreendedor é achar que a venda é automática, achar que é só abrir um negócio online que as vendas já vão aparecer. Existe um tempo de maturação e ele demanda muita dedicação. No final das contas, em termos de tempo, pode até ser maior do que ter uma loja física, porque, em determinados casos, você não fecha o site ou app. Acaba ficando 24h, sete dias por semana”, diz o especialista do Sebrae-SP.

Este dispêndio de tempo vai ser comum em qualquer tipo de empreendimento. E com qualquer modalidade online. Porém, começar com redes sociais vai ajudar a entender melhor essa prática. Quando o negócio parte para outro patamar, sejam marketplaces ou sites próprios, a conversa já muda um pouco, porque há gastos - seja com mensalidade ou com comissões por vendas.

Marketplace: prós e contras

O marketplace é um modelo que foi consolidado no Brasil após o boom durante a pandemia de covid-19 e que apresenta uma facilidade maior para o empreendedor quando o assunto é demanda.

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“Quando o consumidor final pesquisa algum produto, a maior parte do que aparece no Google já é marketplace. E eles têm a confiabilidade da loja, avaliações de clientes, distribuição, métodos de devolução e tudo mais. Só que, claro, isso tem um custo”, afirma Lui.

Na Amazon, por exemplo, multinacional do setor, os preços cobrados no Brasil variam de acordo com a necessidade do negócio. De acordo com dados da empresa, cedidos ao Estadão, existem mais de 60 mil parceiros utilizando a loja da companhia e 99% são PMEs, com mais de 9,6 milhões de produtos listados.

Com eles, há dois planos possíveis para vendas. Sendo que ambos contam com comissão para a Amazon, que varia de 9% a 15%, de acordo com a categoria do produto.

  • Profissional: gratuito pelo período de 12 meses e, depois, tem um custo mensal de R$ 19
  • Individual: não tem mensalidade, mas conta com uma taxa adicional de R$ 2 por item vendido

Pode haver também custo com a parte logística, que vai variar desde a modalidade escolhida até o tamanho do produto comercializado. Informações sobre este tema podem ser encontradas diretamente no site da empresa.

No caso do Mercado Livre não há cobrança de mensalidade ao empreendedor. As taxas ocorrem sempre após a venda, variando de acordo com a categoria do anúncio. São atualmente 3,2 milhões de vendedores, com 456 milhões de anúncios ativos. Por segundo, afirma a plataforma, são mais de 600 visitas e 45 compras realizadas, em média. Existirá taxa, porém, caso o usuário opte por um serviço de logística do ML - como é o caso do full, que facilita as entregas. Para informações adicionais, basta acessar a página especializada do site.

Quando o site próprio pode valer a pena?

É possível resumir este ponto em dois itens: experiência e serviços. Começando pelo último, dificilmente um serviço será bem comercializado em marketplaces, por exemplo. Sites como Amazon e Mercado Livre são muito voltados para produtos.

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E, se o empreendedor não está dando conta de conseguir prestar todo o atendimento necessário por meio das redes sociais, talvez o melhor caminho seja evoluir para um site próprio. Por lá, será possível organizar as informações e efetuar vendas com pagamento direto.

Também é importante citar a experiência do consumidor. Os marketplaces já têm um modelo formatado e consolidado para venda. Enquanto que, nos sites próprios, o layout pode ser mais atrativo, as informações mais claras e o atendimento muito mais personalizado.

A vantagem é que o comerciante consegue colocar todas as cores da marca dele, cadastrar produtos e ditar as regras do negócio, diz Babi Tonhela, gerente-sênior do Ecommerce na Prática, uma escola da Nuvemshop, plataforma de criação de lojas online.

Três dicas para empreender on-line, de acordo com o Sebrae

  • Saiba quem é o seu cliente: quem é que vai comprar o seu produto? Você tem um perfil sobre as necessidades dele? Tem ideia do quanto pode gastar?
  • Que dor você resolve: quais são os problemas que o seu consumidor final precisa resolver? Quais são as demandas dele? E como você pode resolvê-las da maneira mais eficiente?
  • Pense na logística: Como você pode entregar este produto para o cliente? Quais vão ser os custos para isso acontecer? Vai ser pelos Correios ou por uma outra transportadora? Seu produto demanda montador? Como a devolução vai ser feita, caso exista algum problema com a mercadoria?

“Todas essas questões precisam ser bem avaliadas pelo empreendedor, para que ele não tenha problemas no futuro”, explica Lui, do Sebrae-SP.

Três dificuldades de lojas on-line, de acordo com a 300 Consultoria

  • Planejamento: se você é uma marca nova, ainda não tem público. Vai precisar de verba de marketing, para fazer propaganda do próprio negócio, seja com posts patrocinados no Google ou em redes sociais. Senão, o empreendedor vai ficar no meio de um deserto, explicam o vice-presidente e o sócio conselheiro da vertente de educação da 300 Consultoria, Luiz Paulo e Raphael Lassance. Esse problema é mitigado em marketplaces, mas, ainda assim, é preciso ter planejamento para conseguir a própria demanda;
  • Estoque: pense na gestão do estoque. Uma gestão errada de estoque pode levar uma empresa à falência (veja reportagem sobre isso aqui). Se não souber comprar, vai ter problemas de fluxo de caixa. Tem que saber dimensionar o que pode vender;
  • Credibilidade: se você vender em um grande marketplace, existe uma chancela de segurança, e o consumidor se sente mais seguro. Isso não vai ser da mesma forma em sites próprios. Precisa ter os certificados de segurança, além de o site ser bem construído, para passar justamente credibilidade.
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