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Mussolini, Tiradentes, erro de cálculo: Romeu Zema coleciona gafes

Governador de Minas Gerais é um dos nomes da direita para ocupar o ‘vácuo’ de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais; Zema compartilha mensagens que são alvos de críticas

Foto do author Gabriel de Sousa
Por Gabriel de Sousa
Atualização:

BRASÍLIA – O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), acumula polêmicas e gafes, que vão desde citação a ditador até menção à Inconfidência Mineira como um “golpe”. Um dos principais nomes da direita para ocupar o “vácuo” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que se tornou inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o governador mineiro compartilha mensagens nas redes sociais ou em discursos que são alvos de críticas.

No último sábado, 1.º, um dia após o julgamento de Bolsonaro no TSE, Zema publicou uma frase atribuída a Benito Mussolini, ditador italiano morto em abril de 1945. “Fomos os primeiros a afirmar que, quanto mais complexa se torna a civilização, mais se deve restringir a liberdade do indivíduo”, diz o texto postado em seu story no Instagram ao lado da legenda de “bom dia”.

Romeu Zema compartilha frase de Benito Mussolini Foto: Reprodução/Instagram Romeu Zema

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Mussolini foi o líder da Itália durante os anos de 1922 e 1945, no período em que o País viveu sob o domínio do Partido Fascista. Esteve ao lado do ditador nazista Adolf Hitler e do imperador japonês Hirohito nas lideranças do Eixo – países que foram derrotados na Segunda Guerra Mundial.

A assessoria de Zema justificou a escolha afirmando que o governador é um “colecionador de frases motivacionais“ e que o compartilhamento da citação do ditador fascista é um “alerta sobre os riscos de um Estado inchado”.

Auxílio emergencial

No dia 2 de junho, Zema afirmou que os Estados do Sul e do Sudeste têm “mais gente trabalhando do que vivendo de auxílio emergencial”. A declaração ocorreu no 8.º Encontro do Consórcio de Integração Sul e Sudeste, em Belo Horizonte (MG). Segundo ele, “boa parte da solução do País” está concentrada nos Estados dessas regiões.

“No Sul e Sudeste, temos uma semelhança enorme. Se há Estados que podem contribuir para este País dar certo, eu diria que são estes sete Estados aqui. São Estados onde, diferentemente da grande maioria, há uma proporção muito maior de pessoas trabalhando do que vivendo de auxílio emergencial”, disse Zema.

O auxílio emergencial foi um benefício social pago pelo governo Jair Bolsonaro durante a pandemia da covid-19, no valor de R$ 600. De outubro de 2021 até fim de 2022, ele foi mantido com o nome de Auxílio Brasil, mas com uma reformulação, para substituir o Bolsa Família criado no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Neste ano, o programa assistencial voltou a ter a denominação que tinha anteriormente nos governos petistas.

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Zema disse, em uma coletiva de imprensa no dia 3 de junho, que foi “mal interpretado”. “Quem analisar a minha fala e escutá-la vai ver que aquilo que eu quis dizer. Se fui mal interpretado, eu peço desculpas. É que nós, governadores do Sul e do Sudeste, acreditamos, temos convicção de que o melhor programa social é a geração de empregos. Nós somos Estados que acreditamos nisso”, afirmou.

‘Vista grossa’ de Lula no 8 de janeiro

Oito dias após os atos antidemocráticos de 8 de janeiro, Zema sugeriu que o governo Lula poderia ter feito “vista grossa” à invasão de manifestantes nos prédios dos Três Poderes para “se fazer de vítima”. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Gaúcha, onde afirmou também que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) estava ciente das mobilizações bolsonaristas, mas que não havia feito um plano de contingência para evitar os ataques.

“Me parece que houve um erro da direita radical e houve um erro, talvez até proposital, do governo federal, que fez vista grossa para que o pior acontecesse e ele se fizesse posteriormente de vítima”, afirmou Zema.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Zema fosse ouvido na Polícia Federal (PF) para maiores esclarecimentos sobre o que teria sido a “vista grossa” do governo federal. No depoimento, que ocorreu no dia 19 de abril, Zema voltou a criticar a atuação do Planalto. Ao Estadão, o governador disse que reforçou o seu repúdio aos atos e ressaltou a importância de seguir com as investigações que pretendem apurar os crimes cometidos no início do ano.

Inconfidência mineira como ‘um golpe’

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No feriado de Tiradentes, comemorado em 21 de abril para relembrar a execução de Joaquim José da Silva Xavier, um dos líderes do movimento separatista da Inconfidência Mineira, uma postagem do governo de Minas Gerais classificou o episódio histórico como um “golpe”.

A publicação também afirmou que os inconfidentes, que são considerados heróis pela historiografia oficial mineira, teriam cometido e confessado crimes na sua luta pela autonomia de Portugal.

“A data de hoje recorda a luta dos Inconfidentes mineiros pela liberdade do Brasil e dos brasileiros. Temendo as consequências do golpe à Coroa Portuguesa, os inconfidentes não confessaram seus crimes. O único a fazê-lo foi Joaquim José da Silva Xavier, que tornou-se o Mártir Tiradentes ao receber a pena mais dura, em 21 de abril de 1792″, dizia a legenda.

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Postagem do Governo de Minas Gerais tratou Inconfidência como "golpe" Foto: Governo de Minas Gerais/Facebook

A postagem provocou críticas de historiadores. Nas redes sociais, a deputada estadual Lohanna França (PV-MG) questionou Zema. “Você está chamando Tiradentes e os Inconfidentes de criminosos. É isso mesmo?”, disse. Depois, o governo trocou a palavra “crimes” por “atos”. O termo “golpe”, porém, permaneceu na legenda.

Erro de cálculo

Nesta terça-feira, 4, durante uma entrevista concedida para à rádio Jovem Pan, onde se discutia o apoio da Câmara dos Deputados ao Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud), Zema errou uma conta básica de matemática, ao dizer que a metade de 513, que é número de deputados na Casa, era 561. Ao tentar se corrigir, cometeu outro equívoco, falando que o resultado era 556. Após tropeçar, o governador respondeu, no final da entrevista, o número correto: 255.

“Queremos e vamos ter (o apoio de parlamentares no Cosud). Temos hoje a metade dos deputados federais, menos um. A metade de 513 é 561. Então, nós temos lá 561. Minha matemática aqui de cabeça está falhando. Eu sei que nós temos a metade menos um, que é um peso muito grande lá na Câmara Federal”, afirmou.

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