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Quem é Elon Musk, que desafiou o ministro Alexandre de Moraes, e de onde vem a sua fortuna

Terceiro homem mais rico do mundo acumula US$ 195 bilhões com participações na Tesla, SpaceX e outras companhias

Foto do author Gabriel de Sousa
Por Gabriel de Sousa
Atualização:

Dono do X (antigo Twitter), fundador e CEO da montadora de carros Tesla, além de proprietário da startups de foguetes SpaceX, o bilionário sul-africano Elon Musk usou a sua rede social no final de semana para acusar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de infringir a Constituição brasileira. Segundo Musk, que detém a segunda maior fortuna do planeta, o ministro do Supremo promove a censura em decisões judiciais.

O empresário também disse que o magistrado deveria renunciar à sua cadeira na Corte ou sofrer um impeachment. Em resposta, Moraes incluiu o bilionário como investigado no inquérito das milícias digitais por “dolosa instrumentalização” do X.

Musk é o terceiro homem mais rico do mundo e acusou o ministro Alexandre de Moraes de violar a constituição brasileira  Foto: Kirsty Wigglesworth / AP

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Nascido em Pretória, na África do Sul, Elon Reeve Musk tem 52 anos e é filho de uma modelo canadense e de um engenheiro eletromecânico sul-africano que comandou uma mina de esmeraldas na Zâmbia, outro país africano. Além do X, da Tesla e da SpaceX, Musk também fundou a The Boring Company, focada em infraestrutura e mobilidade, foi cofundador da OpenAI, que realiza pesquisas envolvendo a inteligência artificial (IA), e criou a Neuralink, que produz chips cerebrais.

Musk é formado em física e economia pela Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Quando estava por concluir um doutorado na Universidade de Stanford, também nos EUA, o bilionário largou a carreira acadêmica para investir em empreender em empresas de tecnologia.

Em 1995, ele criou uma plataforma de publicação online chamada Zip2, vendida em 1999 por US$ 300 milhões. Depois, o sul-africano criou um sistema de pagamento online que, futuramente, se tornou o Paypal, vendido para a empresa de comércio eletrônico americano eBay por U$ 1,5 bilhão em 2002.

Elon Musk se tornou uma personalidade global em 2018, quando os seus empreendimentos começaram a se destacar entre as empresas de tecnologia. A Tesla se tornou a montadora mais valiosa do mundo, a OpenAI virou a principal empresa de IA, com a criação do ChatGPT e a SpaceX lançou no espaço os foguetes Falcon 9, que devem levar astronautas para a Lua, em parceria com a Nasa.

Segundo o ranking diário da revista Forbes, Musk é o terceiro homem mais rico do mundo, com uma fortuna avaliada em US$ 194,1 bilhões (aproximadamente R$ 974 bilhões na cotação atual da moeda americana). O sulafricano está abaixo do fundador da Amazon, Jeff Bezos, que tem bens estimados em US$ 203,2 bilhões (R$ 1,02 trilhão na cotação atual) e de Bernard Arnault, do grupo de moda LVMH, que tem US$ 220 bilhões.

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A maior parte do patrimônio de Musk está em participações em várias empresas. Isso significa que Musk não possui parcelas significativas de dinheiro “vivo”. Para comprar o Twitter em 2022, por exemplo, ele alavancou sua grande participação na Tesla e solicitou investidores, em vez de contar com somas líquidas.

Abaixo, veja de onde vem a riqueza de Elon Musk.

Tesla

Maior parte dos ativos de Musk está atrelado à montadora Tesla  Foto: Mike Blake/Reuters

Função de Musk: CEO, cofundador

Participação de Musk: 13%.

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Valor da participação de Musk: US$ 77 bilhões em ações, US$ 49,8 bilhões em stock options (opções)

Musk detém 411 milhões de ações e cerca de 304 milhões de opções da Tesla, totalizando cerca de US$ 127 bilhões - a maior parte de sua riqueza. Esses cálculos não descontam os valores da decisão judicial, que exigiria que Musk devolvesse algumas de suas stock options.

Musk tem afirmado repetidamente seu compromisso com a Tesla, onde atua como CEO desde 2008. A empresa foi considerada a joia da coroa do portfólio de Musk. A empresa tornou os carros elétricos populares e tem ambições globais. Depois de começar com um conversível esportivo, o Roadster, a Tesla expandiu gradualmente para sedãs.

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Sua tecnologia Autopilot é um dos sistemas de direção semi-autônoma mais difundidos no mercado, disponível em milhões de carros nas ruas.

SpaceX

Musk tem 42% da SpaceX Foto: Joe Skipper/Reuters

Função de Musk: CEO, fundador

Participação de Musk: 42%.

Valor da participação de Musk: US$ 71,2 bilhões

As ambições de Musk não se limitam à Terra - ele quer que os seres humanos aterrissem em Marte. Musk fundou a SpaceX, empresa privada que constrói foguetes e satélites, em 2002. A empresa trabalhou com a NASA para realizar lançamentos espaciais e fazer viagens à Estação Espacial Internacional, já que foi pioneira em foguetes reutilizáveis.

A SpaceX pretende levar astronautas de volta à Lua - trabalhando na primeira missão humana da NASA ao polo sul da Lua, prevista para 2026.

Musk caracterizou a SpaceX como uma extensão de sua missão na Tesla. “Devemos salvaguardar o futuro da vida fazendo a transição para a energia sustentável na Terra e nos tornando multiplanetários através de Marte”, escreveu ele em um post no X. “Não está claro quanto tempo temos para fazer essas coisas, mas quanto mais cedo melhor.”

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X, antigo Twitter

Musk pagou US$ 44 bilhões no Twitter em 2022 e transformou ele no X Foto: Darko Vojinovic / AP

Função de Musk: Proprietário

Participação de Musk: 79%

Valor da participação de Musk: US$ 8,4 bilhões

Musk comprou o Twitter por cerca de US$ 44 bilhões em um acordo controverso em 2022 e renomeou a empresa como X no ano passado. Desde a aquisição, o bilionário demitiu a maior parte da equipe da empresa e contratou uma nova CEO, Linda Yaccarino.

Desde a aquisição, a X tem enfrentado dificuldades com a diminuição da confiança dos anunciantes, já que as marcas estão desconfiadas dos comentários públicos polêmicos de Musk. Os investidores também expressaram preocupação com as finanças da empresa. Atualmente, estima-se que a X valha menos da metade do valor do Twitter na época da aquisição.

Mas Musk disse que o número de usuários do X está crescendo e descartou preocupações sobre a diminuição do interesse no site.

The Boring Company

Função de Musk: Fundador

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Participação de Musk: US$ 3,3 bilhões

Musk também está ampliando seu império no subsolo. Nascida em 2016 da exasperação de Musk com um congestionamento de trânsito, a The Boring Company é a solução proposta por ele para o congestionamento: “trânsito de massa personalizado”, por meio de túneis.

A empresa pretende construir uma rede de túneis de alta velocidade perto de algumas das cidades mais congestionadas dos Estados Unidos. Em 2017, Musk publicou no X que tinha “aprovação verbal do governo” para um Hyperloop que ligaria Washington à cidade de Nova York e poderia ser percorrido em 29 minutos.

Nenhum projeto desse tipo tomou forma.

O maior projeto da empresa até o momento é o loop de 2,7 km abaixo do Centro de Convenções de Las Vegas, que foi usado por mais de 1,5 milhão de passageiros desde que foi inaugurado em 2021, de acordo com o site da empresa, “com uma capacidade de pico demonstrada de mais de 4,5 mil passageiros por hora e mais de 32 mil passageiros por dia”.

A The Boring Company ainda não provou sua teoria de que a construção de túneis pode resolver o problema do tráfego em uma escala maior. Os críticos apontam que, em vez de aumentar a mobilidade, a realocação estratégica de carros no subsolo simplesmente removeria o tráfego da vista.

No entanto, Musk é insistente: “Ou é o trânsito para sempre ou túneis”, ele postou uma vez.

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Empresário já se encontrou com Bolsonaro para discutir projeto na Amazônia

Em maio de 2022, um mês após fechar a compra do X, Musk se encontrou com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em Porto Feliz, no interior de São Paulo. O encontro entre os dois foi feito para discutir marcos regulatórios, regulação na Amazônia e conectividade nas escolas.

Pela rede social, Musk disse que estava “muito animado” para discutir com Bolsonaro o lançamento de satélites de baixa órbita da Starlink (ligada à SpaceX) em 19 mil escolas da Amazônia. O ex-presidente, por sua vez, chamou o empresário de “mito da liberdade” e declarou que a compra do X era um “sopro de esperança”.

Elon Musk e Bolsonaro se encontraram em São Paulo em 2023 para tratar de conexão na Amazônia Foto: Reprodução/Twitter/Jair Bolsonaro

Em uma transmissão ao vivo realizada neste domingo, Bolsonaro fez um discurso em apoio a Musk e disse que agora teria um “apoio e fora do Brasil muito forte”.

“Agora, nós temos um apoio de fora do Brasil muito forte. Esse assunto está palpitando fora do Brasil, parece que a salvação nossa, a democracia, está ameaçada. Todo mundo sabe isso aí. A nossa liberdade de expressão nem se fala”, afirmou.

Além de Bolsonaro, Musk também fez acenos para outros líderes da direita política, como o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e o presidente da Argentina, Javier Milei.

Empresário viralizou em 2020 após dar nome incomum para o filho

Em maio de 2020, Musk figurou nos noticiários globais ao anunciar que o seu filho, com a cantora Grimes, se chamaria “X Æ A-XII Musk”. A artista depois explicou na imprensa americana que o “X” significa “a variável desconhecida”, o “Æ” é a grafia élfica para AI (inteligência artificial, em inglês) e a palavra “amor” em japonês. A-XII, por sua vez, seria uma referência ao Lockheed A-12, aeronave de combate favorita do casal.

Além de X Æ A-XII Musk, o casal, que se separou em 2022, também são pais de Techno Mechanicus Musk e Exa Dark Sideræl, que futuramente foi renomeada para “Y”. /COM WASHINGTON POST

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Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.

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